Fios que valem ouro

Vera Fiori - O Estado de S.Paulo

Dependendo do presente da natureza, a relação da mulher com o cabelo pode ser em clima de lua de mel ou um estresse só

Que hair stylist não gostaria de ter Madonna ou Victoria Beckham como clientes? Com elas não tem aquele nhém nhém nhém de cortar só as pontinhas. Sem medo de mudanças radicais, as duas já experimentaram de tudo: cabelos ondulados, chapadérrimos, ruivos, negros, castanhos, com mechas, curtinhos, compridos e nem tanto.

As madeixas não apenas são a moldura do rosto, como revelam muitas facetas da pessoa, enunciando significados e fases. Um exemplo? No ápice de seu inferno astral, a pop star Britney Spears raspou os fios, despindo-se da imagem de loira sexy. O formato da cabeça não compatível com a nudez rebelde mostrou que Britney fica mil vezes melhor com cober-tura.

Os cabelos femininos estão atrelados à sedução, a ponto de a História atribuir a eles o poder de levar os homens a perderem o juízo. Não é à toa que as bruxas, prostitutas e demais anarquistas cabeludas eras punidas a tesouradas e gentilmente convidadas a arder na fogueira (ruivas, principalmente), como Joana d''Arc e seu curtinho à la garçonne.

LOIRO COBIÇADO

Toda garota sonha em ter as madeixas lindas e loiras de Grazi Massafera, que, desde pequena, incentivada pela mãe, usa fios longos. Na opinião da atriz, o cabelo é uma arma de sedução poderosíssima para as mulheres e, por isso mesmo, cuida do seu a pão de ló. "Meu cabelo é ondulado, mas, por causa do trabalho, estou sempre fazendo escova ou chapinha, e fico exposta a vários produtos químicos. Por isso, quando estou de folga, recorro à hidratação. Isso é fundamental para mantê-lo saudável."

Se já fez alguma maluquice na adolescência? "Várias vezes! Como trabalhei em salão, todas as experiências com novos produtos eram feitas no meu próprio cabelo. Na verdade, como minha mãe não proibia, as experiências começaram muito cedo. Já pintei de castanho escuro, de loiro branco..."

Na telinha, é obrigada a aceitar mudanças conforme o script da novela. "Toda mulher é apegada ao cabelo, mas quando a profissão exige, temos que abrir mão do visual preferido. Para viver a Florinda, de Desejo Proibido (da Rede Globo), tive de cortar o cabelo quase pela metade, já que a novela era ambientada na década de 30. Quando soube da tesoura, confesso que sofri bastante, mas depois adorei! Agora tento sempre mantê-los um pouquinho mais curtos."

Matando a curiosidade das fãs, o tom natural do seu cabelo é loiro escuro e, na campanha da L?Óreal, da qual é a estrela, usou a cor Imedia Excellence 8.3. "Gostei muito quando pintei de castanho escuro e estou adorando a cor atual, feita pela tinturista Elza Pontes, com algumas mechas mais claras."

Bons cosméticos não faltam em sua nécessaire:

- Adoro produtos para cabelo. É uma das minhas paixões! Minha nécessaire é quase uma mala, pois nunca sei quando terei de sair correndo para uma gravação, viagem ou algum outro trabalho. Levo um silicone e um bom creme de hidratação. No momento, uso sempre o creme de tratamento Reparação Total 5, da L?Oréal.

ARCO-ÍRIS

A VJ Marimoon, que apresenta o Scrap TV, programa que trata de moda, música e tecnologias, todos os dias recebe emails de garotas pedindo informações sobre seus cabelos, atualmente azuis. "Já passaram por todas as cores, menos o amarelo. Rosa, roxo, verde, laranja, vermelho..." Já no ginásio, bem antes de se render à sedução do look psicodélico, sentia-se um peixe fora d''água com a calça jeans rasgada, tênis Converse e camiseta grunge do Nirvana, ao contrário das patricinhas com suas bolsas da Vuitton. "Nessa hora tive de optar entre mudar meu jeito de ser para ser aceita ou ser eu mesma, independentemente da opinião alheia. Opção B, lógico."

Tudo começou com o ruivo flamejante da personagem Pequena Sereia:

- Nasci na década de 80 e, pequena, assistia aos desenhos animados tipo arco-íris, como Pequeno Pônei, Woozles, Popples, Jem. Tudo era colorido, até as penugens dos personagens. Pedia para a minha mãe pintar meus cabelos igual aos dos cartoons, em especial de vermelho, assim que vi a Pequena Sereia. Ouvi um "só quando você crescer". Em 2002, depois de muita pesquisa com os gringos pela internet, descobri como fazer! Pintei de vermelho e nunca mais parei. A reação do meu pai quando me viu de cabelo colorido pela primeira vez foi a melhor: por que você não pintou de azul?

O namorado? Ah! ele prefere o rosa...

DE PUNK A MULHERÃO

A baiana Penélope Nova, colega de Marimoon na MTV, já foi de um extremo ao outro. Usou os cabelos curtos, compridos, presos, com franjinha do lado e reta, e aos 19 anos passou máquina um, raspando a cabeça. "Na ocasião, trabalhava num shopping, estava atendendo uma menina e o pai dela não tirava os olhos de mim. Então ele se aproximou, pediu desculpas e disse que era neurocirurgião e que estava admirando a minha caixa craniana."

Desde pequena, desafiava os padrões de beleza. Aos 8 anos, quando o pai, o roqueiro Marcelo Nova, chegou de uma viagem a Nova Yorque com o cabelo arrepiado, foi ao barbeiro, cortou o seu igual e virou uma pequena punk. "Dos 18 aos 25 anos, embarquei numa viagem oposta à das outras garotas. Enquanto elas mantinham os cabelos lisos, longos e sedosos, o meu não passava da altura do queixo. Em 1993, quando nem era comum, usei rosa choque."

Experimentou também o castanho claro, preto, até que radicalizou, com um loiro hollywoodiano, quase branco. "Foram nove anos no salão!", fala a VJ, que até o fechamento desta reportagem estava ruiva. Privilegiada pela natureza, nasceu com cabelo forte e obediente. "Fica bem liso e chapado. Quando lavo e não uso secador, é só ajeitar com os dedos que fica anelado, parecendo efeito de baby liss", conta. Camaleônica, é a favor de mudanças:

- Acho uma bobagem a ideia de associar cabelo curto a falta de feminilidade. Se por um lado o comprido é uma arma de sedução, o curto não fica atrás e sinaliza que a mulher é poderosa e bem resolvida.

CABELÃO

A única vez em que a atriz Mônica Martelli usou cabelo bem curtinho foi quando interpretou um personagem masculino na novela Beleza Pura e, mesmo assim, era peruca. "Vendo no vídeo, até achei que me rejuvenesceu." Mas ela só passaria a tesoura nas lindas madeixas se fosse uma exigência do trabalho. Outro problema além do "apego ao cabelão" é a proporção. "Sou muito alta e, se cortasse, ficaria com uma cabecinha." No Brasil, acredita, prevalece a cultura do cabelo longo, sem contar que os homens adoram. "Então, na dúvida, é melhor se manter longe da tesoura", brinca a atriz, que alterna uns dez xampus diferentes na lavagem.

Como de praxe, na adolescência partiu para uma mudança radical. "Fui à farmácia comprar tintura, escolhi um tom de preto azulado e tingi em casa. Foi um desastre, a tinta escorria na testa, mas eu tinha 18 anos e achei o máximo."

A atriz, que protagoniza a série de humor Dilemas de Irene, no canal GNT, até abordou o tema no episódio "Em busca do cabelo perdido", no qual reproduziu uma situação bem comum na vida real:

- A personagem Irene traiu o seu cabeleireiro de confiança e, brigada com o namorado, fez o que não é recomendável: ir para um salão novo. Cortou chanel, pintou de ruivo e gritou quando se olhou no espelho. Depois voltou ao tom moreno, em seguida pintou de loiro e fez megahair. Só sentiu sua vida voltar ao normal quando recuperou o cabelão!

BERINJELA CHIQUE

A atriz e roteirista da Conspiração Filmes, Suzana Pires (foto da capa), conta que, quando completou 28 anos, acordou decidida a mudar o look. Tinha o cabelo comprido, correu para o salão da cabeleireira e confidente e pediu para cortá-lo bem curtinho, com a nuca batida. "Saí de lá muito feliz e não me arrependi." No ano passado, para interpretar uma personagem num seriado de TV, colocou megahair com a expert paulista Luciana Alvarez. "O cabelo comprido pede um salto alto, dá vontade de usar um vestido."

Suzana também teve a fase loira com corte espetadinho tipo surfista. "Como sou bem morena, fui clareando aos poucos. Mas às vezes me olhava no espelho, esquecia que estava loira e tomava um susto!" De todas as transformações, relembra, aos risos, da tintura meio roxa, meio berinjela:

- Tinha 19 anos e viajei pela Europa de mochila. Chegando a Paris, estava na moda um tom de tintura berinjela, que ficava chiquérrimo nas francesas. Mas aí, ou eu pagava um preço absurdo para tingir num salão chique de lá ou continuava a viagem. Quando voltei ao Brasil, a cor já estava à venda, mas não fazia muito sucesso. Comprei, passei em casa, a testa manchou, um horror. Minha mãe levou o maior susto. Para recuperar o cabelo, tingi de castanho e fui cortando até sair o tom berinjela. Aprendi que mudança radical só se for com um profissional de confiança."

LOUCURAS MIL

A relações públicas Vivian Najjar nasceu com o cabelo crespo e rebelde, mas queira ser loira de cabelo liso de qualquer maneira. O preço da transformação foi alto: usou tanta química que quase perdeu os cabelos, como conta:

- Comecei aos 12anos. Os fios eram crespos na raiz e optei pelo relaxamento. Aos 15, quis mudar a cor e passei um tonalizante em casa, mas ficou manchado, meio cor de laranja. Aos 18, continuei com o relaxamento, escova e aumentei a quantidade de luzes até ficar loira, de cabelo chanel liso e com franja. Arrisquei muito, até que um dia passei a mão na cabeça e caiam mechas. Um susto! Quem apagou o incêndio foi o expert Celso Kamura."