Filme israelense fica com o Leão de Ouro

Luiz Zanin Oricchio - O Estado de S.Paulo

Líbano, de Samuel Maoz, descreve o horror da guerra no Oriente Médio

Vai para Israel o Leão de Ouro do Festival de Veneza. Líbano, de Samuel Maoz, foi considerado o melhor filme por um júri presidido pelo diretor de Taiwan, Ang Lee. Líbano era mesmo tido como o favorito, mas numa disputa equilibrada. Talvez outros dois ou três filmes poderiam ter sido escolhidos.

Em todo caso, o Leão fica em boas mãos, e vai para um filme construído com poucos elementos. Para descrever o horror da guerra, ele é ambientado quase exclusivamente no interior de um tanque, que avança por território libanês levando quatro soldados jovens. Maoz, que é veterano da guerra do Yom Kippur, disse que "a ideia era revelar o real bruto da guerra, limpo dos clichês com que costumam retratá-la quem não a conhece." É seu primeiro filme.

No entanto, na coletiva após a premiação, o diretor foi contestado por uma jornalista libanesa, que tachou o filme de "propaganda pró-Israel, e que vê só um lado da guerra, o dos soldados israelenses". Maoz respondeu que era o lado em que vivera aquela experiência. Ou seja: polêmica à vista.

O Leão de Prata ficou com o iraniano Zanan Bedoone Mardan, que pode ser traduzido como Mulheres sem Homens e recua aos anos 50 para mostrar que a dura realidade da mulher iraniana tem raízes profundas. O Prêmio Especial do Júri foi para o divertido Soul Kitchen, do alemão de origem turca Fatih Akin, história de um rapaz que mantém um restaurante charmoso e precisa conservá-lo diante de muitas dificuldades, inclusive a de um irmão presidiário que sai em liberdade condicional.

O prêmio de melhor ator foi para Colin Firth, em A Single Man, drama dirigido pelo estilista Tom Ford em sua primeira experiência no cinema. O filme dividiu opiniões entre os que o consideraram emocionante e os que viram um exercício fútil de estilo. Mas o trabalho de Firth ficou acima de discussões.

Mais contestado foi o prêmio de melhor atriz, para Ksenia Rappoport em La Doppia Ora, um dos quatro filmes italianos no concurso. Os brasileiros Viajo porque Preciso, Volto porque te Amo e Insolação, que participaram da mostra Horizontes não foram premiados.