Figurinos em cena

- O Estado de S.Paulo

Logo que se popularizou, nos anos 30, o cinema encontrou-se com a moda

Já na infância, as mulheres são apresentadas à Cinderela, e se encantam com a história da pobre gata borralheira que se torna princesa. As roupas maltrapilhas da personagem, antes do aparecimento da fada madrinha, acentuavam a infelicidade da mocinha, que só teve fim quando ela ganhou um belo vestido rodado, como o das princesas. A realização de Cinderela começou com a mudança de visual, antes mesmo da dança com o príncipe. Isso sem falar no sapatinho de cristal. Será que o príncipe buscaria a dona de um chinelo gasto? Provavelmente não. Figurino é isso: a tradução de uma personalidade. Tem o poder da linguagem e, por isso, é fundamental em contos, novelas e filmes. Prova disso foi a afirmação feita por Meryl Streep, protagonista do filme O Diabo Veste Prada, quando recebeu seu Globo de Ouro por melhor atriz. De cima do palco, ela homenageou a figurinista do longa, Patrícia Field (que também assina o visual das garotas de Sex and the City), dizendo que a profissional merecia a estatueta da categoria "efeitos especiais" pelo trabalho realizado no filme. Meryl, na pele de Miranda, era o diabo que vestia Prada e outras grifes bacanas. Enquanto sua assistente Andrea, interpretada por Anne Hathaway, fazia as vezes de uma Cinderela moderna, que trocou a suposta saia da avó por um guarda-roupa jovem, repleto de peças da Chanel, por Karl Lagerfeld.Mas Anne não foi a primeira atriz que teve o prazer de usar Chanel nos sets de filmagem (e quem sabe na vida real). Na década de 30, a marca já estava na telona. Coco Chanel recebeu US$ 1 milhão para desenvolver as vestes de três longas dos estúdios MGM, entre os quais, A Regra do Jogo, de Jean Renoir (1939). Mas foi o estilista Hubert de Givenchy quem levou a melhor no filão cinematográfico, produzindo oito longas, em seis deles vestindo sua bonequinha de luxo Audrey Hepburn. Adrian e o fast-fashion Menos conhecido e bastante importante foi o norte-americano Adrian, queridinho das personagens de Greta Garbo, e famoso por criar trajes de gala. Foi ele quem vestiu o elenco de filmes como O Mágico de Oz (1939) e Redimida (1932), no qual o vestido branco de organza - usado pela atriz Joan Crawford - virou objeto de desejo das mulheres, e no melhor estilo fast-fashion acabou nas prateleiras da loja Macy’s por US$ 20 - cinqüenta mil réplicas foram vendidas em menos de um mês. Além desse feito, Adrian criou os looks da primeira montagem de Maria Antonieta, dirigida por W.S. Van Dyke, com roteiro de F. Scott Fitzgerald. Na época, a atriz Norma Shearer era a protagonista, recentemente vivida por Kirsten Dunst no remake moderno de Sofia Copolla com indumentária de Milena Canonero. O mix de babados e ancas vitorianos, com toques contemporâneos, é um dos atrativos do longa de 2006. Assim como a estética dos "drugues" (como são chamados os companheiros do protagonista) de Laranja Mecânica (também assinados por Milena Canonero) se destacam desde 1971. Em busca de mais referências sinérgicas entre o cinema e a moda, o Feminino perguntou a alguns dos maiores fashion experts quais são os filmes imperdíveis para quem gosta de moda. Confira os três filmes eleitos por Lilian Pacce, Giovanni Frasson, Chiara Gadaleta, Érika Palomino e Costanza Pascolato, como os mais representativos no casamento moda e cinema. Agradecimento: 2001 Vídeo