Federais vão oferecer quase o dobro de vagas em até 5 anos

Renata Cafardo - O Estado de S.Paulo

Projeto de expansão das 53 universidades permitirá passar de 133 mil para 229 mil vagas

As 53 universidades federais vão quase duplicar o número de vagas em vestibulares até 2012. O crescimento será de 72%, pulando das atuais 133 mil para 229 mil vagas. A ampliação faz parte de um programa do Ministério da Educação (MEC) que passou a destinar recursos conforme o plano de crescimento de cada instituição. O Estado teve acesso aos números de vagas a serem criadas por todas elas. Há universidades que planejam mais de 300% de aumento em cinco anos.Se forem destacados só cursos noturnos, a ampliação do sistema será ainda maior, de 145%. Entre 2000 e 2006, esse índice tinha sido de 19%. A Federal da Bahia (UFBA), por exemplo, aumentará em 3.200% - hoje são 80 vagas à noite, em 2012 serão 2.695. No Estado de São Paulo, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e a de São Carlos (UFSCar) pelo menos duplicarão o total que oferecem hoje no período.O crescimento do noturno é uma das metas do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) do MEC, lançado no ano passado. O plano - cuja adesão é voluntária - exige ainda que as instituições busquem uma proporção de 18 alunos para cada professor e uma evasão máxima de 10%.A previsão é que as instituições recebam R$ 2 bilhões até 2012 e outras verbas para investimentos, sempre conforme os projetos apresentados.Durante as discussões locais sobre adesão ou não ao Reuni, em outubro, quatro federais foram invadidas por alunos que se diziam contrários ao programa. Para eles, o oferecimento de verbas em troca de condições e metas significava uma forma de precarização do ensino. No entanto, todas as 53 federais aderiram ao programa - por meio de aprovação de seus conselhos universitários."A idéia é expandir o sistema", diz o secretário de Ensino Superior do MEC, Ronaldo Mota. Segundo ele, 52 das 53 já tiveram seus projetos de ampliação aprovados e receberam o primeiro repasse de R$ 250 milhões. Boa parte dos maiores crescimentos ocorrerá em instituições recém-criadas pelo governo Lula, como a Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB). Hoje, ela não tem nenhuma vaga noturna; em 2012, serão 980."Nunca houve incentivo para cursos à noite", justifica o pró-reitor de Graduação da UFBA, Maerbal Marinho, quando questionado sobre o surpreendente crescimento da instituição. A universidade receberá R$ 85 milhões do governo em cinco anos e vai contratar cerca de 580 professores e 400 funcionários. Entre as áreas em que haverá novas vagas estão Engenharias, Direito, Administração e Licenciatura, outro foco do programa do MEC.Na Universidade Federal do Pará (UFPA), que aumentará suas vagas das atuais 5.277 para 8.625, serão R$ 248 milhões para criação de cursos de Biotecnologia, Museologia e Saúde Coletiva. "A maior ampliação será nos câmpus do interior", diz a vice-reitora, Regina Feio Barroso. A instituição tem unidades, além de Belém, em nove cidades - como Santarém, Altamira e Marabá.APOIO CRÍTICOApesar dos protestos isolados durante o período de adesão, o Reuni é um programa que recebe poucas críticas, principalmente porque é raro educadores se pronunciarem contra aumento de vagas em universidades públicas. "Temos uma posição de apoio crítico", diz a presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Lucia Stumpf. Para ela, a ampliação de vagas, principalmente no noturno, é uma resposta às reivindicações da própria entidade. Lúcia diz temer, porém, que as universidades não recebam os valores prometidos depois de expandirem suas vagas. "Depois da não aprovação da CPMF, o governo colocou em sobreaviso as verbas da educação.""Claro que somos a favor da ampliação, mas nos preocupamos com cortes no orçamento", repete o presidente do Sindicato Nacional dos Docentes de Ensino Superior (Andes), Paulo Rizzo. Ele acredita ainda que o programa pode sobrecarregar de trabalho os professores, já que pede a proporção de 18 estudantes por profissional.Segundo o MEC, o dinheiro para o Reuni está garantido porque faz parte do Plano Plurianual, foi estabelecido por decreto presidencial e sairá do Orçamento da União.