Federação dos Hospitais critica estudo sobre infecção

Fabiane Leite - O Estado de S.Paulo

A Federação dos Hospitais do Estado de São Paulo protestou ontem contra pesquisa que apontou que 75% dos hospitais paulistas têm falhas no controle de infecções hospitalares. O estudo foi feito pelo Conselho Regional de Medicina entre outubro de 2007 e janeiro de 2008, a pedido do Ministério Público.Para Dante Montagna, presidente da federação, apresentar apenas as falhas de controle pode levar a população a concluir que os hospitais têm altas taxas de infecção, o que não é necessariamente verdade."Qual é o índice de infecção? Isso é muito mais importante para a população", argumentou. Questionado se os próprios hospitais não poderiam divulgar os índices , o dirigente disse que a decisão cabe a cada unidade. Ele questionou ainda o prazo para a divulgação do estudo.Em nota, a promotoria destacou considerar que "o trabalho desenvolvido colabora para a melhoria das condições hospitalares." Enfatizou ainda que providências serão tomadas pelos promotores.O hospital privado Oswaldo Cruz, considerado de excelência, informou que a sua presença na lista de unidades com problemas deve ser resultado de falha na comunicação de dados. "Duas auditorias externas indicaram que temos um bom controle", diz Gilberto Turcato Jr., responsável pelo controle. Os demais hospitais não comentaram os dados.Como o Estado informou ontem, as falhas apontadas pelo levantamento foram detectadas dez anos depois de o Ministério da Saúde editar regulamentação que obriga as unidades a ter um programa de combate às infecções e uma equipe de profissionais dedicados à tarefa de evitar que fungos, bactérias e vírus prejudiquem os pacientes durante ou após a internação.O trabalho foi realizado a partir de uma amostra de 158 hospitais, representativa das 741 unidades hospitalares do Estado. Mesmo entre aqueles que declaravam ter programas de controle das infecções, 92% descumpriam algum dos pontos importantes para o trabalho ser considerado completo.