Fashion Rio se despede da 11.ª edição com rock, humor, paz e amor

- O Estado de S.Paulo

Um dos destaques desta sexta-feira, último dia do evento, foi a Totem, marca muito querida pelo público carioca por suas peças sempre coloridíssimas e confortáveis

A despedida da 11.ª edição do Fashion Rio teve rock, humor, paz e amor. No último dia da semana de moda carioca, os atrasos foram menores (cerca de 50 minutos, quando nos dias anteriores sempre passavam de uma hora) e o ambiente, mais relaxado, já que as grifes mais badaladas já tinham passado pelas passarelas.Um dos destaques desta sexta-feira foi a Totem, marca muito querida pelo público carioca por suas peças sempre coloridíssimas e confortáveis. O estilista Fred D´Orey preparou uma ode ao rock´n´roll das décadas de 60 e 70, tendo como musa a cantora Patti Smith, espécie de guru da coleção. O cenário era uma garagem."Para mim, é um prazer falar de rock. Queria traduzir essa moda masculina que a Patti Smith usava para os trópicos", contou D´Orey, que teve como ponto de partida uma frase que leu certa vez num livro sobre o movimento hippie: The More I Revolt, The More I Make Love (Quanto Mais me Revolto, Mais Faço Amor). A declaração, no melhor estilo paz-e-amor, apareceu numa camiseta e num vestido.Fred deu atenção especial às golas, masculinas mesmo nos vestidões ultrafemininos. Golas, botões e cintos foram vistos até mesmo num biquíni. Os vestidinhos molinhos e as blusas que fazem o sucesso da Totem tinham, como sempre, cores bem vibrantes, em combinações que todo mundo adora: roxo com rosa, vinho com amarelo, preto com amarelo e daí por diante. Nos pés, ora plataformas bem altas, ora sandálias rasteiras. As calças sequinhas dos meninos ganharam suspensórios e os jeans dos roqueiros eram skinny e em lavagens escuras.Agreste nordestino O estilista Melk Z-da trouxe um pouco de seu Pernambuco para a Marina da Glória. Para ele, o visual do verão 2008 deve buscar inspiração no vestuário típico de sua terra natal e em suas altas temperaturas. As modelos vieram vestidas de "matutas fashion", com lenços na cabeça e bonés, como bóias-frias. Tinham os pés sujos de barro, que contrastavam com a pele alvíssima das moças (à exceção de duas negras) - também "castigada" com o sol nordestino (efeito da maquiagem, naturalmente). Na passarela, muitos vestidinhos clarinhos com detalhes artesanais, tecidos leves como organza, tule e cetim, tudo ornamentado com colares longos e cintos reluzentes como o astro-rei, representado por uma forte luz vermelha-alarajanda. "A minha inspiração veio das mulheres do agreste e sertão nordestino, como minha mãe e minhas tias. O visual delas me fascina", explicou Melk Z-da, que continua buscando equilibar experimentalismos e o lado comercial. Para contrastar, ele lançou mão de estampas digitais em bolsas, vestidos e blusas, o que deu ao sertão um toque meio oriental, meio pop art. À noite, ainda eram aguardados o desfile masculino do Complexo B e as femininas Elisa Chanan e Alessa, que fechariam o Fashion Rio.Mais cedo, seis jovens talentos desfilaram no Prêmio Rio Moda Hype. Teve de tudo: a Butch mostrou sua moda praia internacional; Melca Janebro fez rir ao apelar pela compaixão pelos feios (camisetas tinham frases como "Adote um feio"); Renata Veras homenageou o amor; Tear Gas criou moda a partir do apocalipse; Marciana apresentou peças que, no entender da marca, transmitem "paz, harmonia e a beleza da simplicidade" (remédios para a falta de tempo que assola a humanidade); Pluz Brasil chamou a atenção para o meio ambiente, levando cartazes de papelão com dizeres singelos como "CO2 mata" e "Amazônia é nossa".O Fashion Business, feira de negócios paralela ao Fashion Rio, fechou suas vendas em R$ 426 milhões só no Brasil;US$ 14 milhões no exterior. Cinco mil compradores (lojistas e revendedores) visitaram os espaços montados pelos quase 90 expositores, vindos de 14 estados. Eloysa Simão, coordenadora do Fashion Rio e do Fashion Business, se surpreendeu com o bom resultado (ligeiramente superior ao do ano passado), já que o setor não atravessa boa fase.