''Faltam políticas antiviolência''

Karina Toledo - O Estado de S.Paulo

Para a socióloga Miriam Abramovay, especialista em violência nas escolas, o conceito de bullying, por ser importado de países desenvolvidos, é limitado e não contempla os diversos tipos de violência que existem nas unidades brasileiras. "Existem outras relações problemáticas, como alunos e professores, alunos e pais, pais e professores. Também não considera problemas como armas e tráfico de drogas", diz.Falta envolvimento dos pais na escola e preparo de professores e diretores para lidar com a questão, afirma Miriam. "A violência nas escolas ainda não é tema de políticas públicas. Alguns Estados ensaiam iniciativas, mas é preciso discutir mais o assunto, que tem consequências negativas não apenas para a saúde pública como também para a aprendizagem."Uma das iniciativas que têm apresentado bons resultados é a implementação dos círculos de justiça restaurativa em algumas escolas estaduais de São Paulo, Guarulhos e São Caetano do Sul. O projeto, que começou há três anos em São Caetano, atende casos como brigas entre estudantes, bullying e agressões contra professores. Promove encontro da vítima com o agressor, dando-lhes oportunidade de falar sobre motivos e consequências do ato. "Podemos notar queda no número de boletins de ocorrência e menor judicialização dos conflitos", conta o juiz Egberto de Almeida Penido, do Fórum das Varas Especiais da Infância e Juventude. "O índice de cumprimento dos acordos firmados é grande. Em São Caetano supera os 90%."