Falta muito para Brasil atingir metas, diz Unesco

Alexandre Gonçalves - O Estado de S.Paulo

Fluxo é maior problema, com aluno estudando em séries inadequadas

O Brasil está em 76º lugar entre os 129 países que assumiram o compromisso de oferecer acesso universal à educação até 2015, segundo relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) divulgado ontem. Na prática, pertence ao grupo das 53 nações que ainda estão distantes dos objetivos do programa Educação para Todos (EPT) até 2015, prazo acordado na Conferência Mundial de Educação em Dacar (Senegal), realizada em 2000. Há ainda um grupo de 25 países que são qualificados pelo relatório como "muito longe da meta", ainda em pior situação.A Unesco utiliza o Índice de Desenvolvimento de Educação para Todos (IDE) como forma de avaliar os avanços obtidos em cada país. O índice considera quatro indicadores quantitativos: proporção de crianças que se encontram na escola na idade adequada, porcentual da população com mais de 15 anos alfabetizada, proporção de crianças que atingem a 5ª série e comparação do acesso ao ensino segundo diferenças de gênero. O IDE brasileiro é 0,901. Fica abaixo da Argentina (0,979), do Chile (0,969), do Peru (0,931) e da Venezuela (0,931).Vence apenas a Colômbia (0,899) quando comparado aos cinco países latino-americanos com maior população depois do Brasil.Para Angela Barreto, consultora da Unesco no Brasil e co-autora do estudo, o principal ponto fraco do sistema educacional brasileiro é o fluxo escolar. "Não temos mais um problema de acesso: 97% das pessoas de 7 a 14 anos estão na escola", afirma. "Na faixa etária de 15 a 17 anos, esse porcentual é de 80%. Infelizmente, só 47% estão no ensino médio. O resto está atrasado, no fundamental."O secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação (MEC), André Lázaro, concorda com o diagnóstico dos problemas exposto no relatório da Unesco. Lázaro considera o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) um importante aliado para combater as diferenças regionais criticadas pelo relatório, mas afirma que deveria haver maior comprometimento dos Estados e municípios na aplicação de recursos, especialmente para a educação infantil. Das crianças com menos de 3 anos, 15,5% freqüentavam creches em 2006. A meta do Programa Nacional de Educação (PNE) para 2011 é atender 50% das crianças.