Exercício melhora qualidade de vida durante menopausa

Simone Iwasso - O Estado de S.Paulo

Estudo da USP avaliou 4 grupos de mulheres, incluindo as que usaram reposição hormonal

Pesquisa multidisciplinar realizada na Universidade de São Paulo (USP) constatou que a prática regular de atividade física foi mais eficiente para melhorar a qualidade de vida de mulheres na menopausa do que o tratamento com reposição hormonal, combatendo os sintomas típicos do período, como indisposição, fadiga, irritação, insônia, dores no corpo e ondas de calor. O trabalho, que envolveu as Faculdade de Educação e de Medicina, acompanhou 44 mulheres entre 45 e 58 anos. Parte delas entrou naturalmente na menopausa e o restante retirou o útero. Durante seis meses, elas tiveram o estado de saúde monitorado pelos pesquisadores e preencheram questionários sobre como estavam se sentindo no período.Para perceber o impacto dos exercícios, as mulheres foram divididas em quatro grupos - o que fez atividade física e tomou hormônios; o que se manteve sedentário e tomou hormônios; o que fez exercícios e tomou placebo; e, por fim, o que ficou sedentário e tomou placebo. A atividade física foi uma hora de bicicleta ergométrica três vezes por semana."O que aconteceu foi que somente as que fizeram exercícios tiveram melhora na qualidade de vida", explica Carolina Kimie Moriyama, uma das autoras da pesquisa, que foi publicada no periódico científico Journal of The North American Menopause Society.Segundo ela, as explicações estão relacionadas à liberação de endorfina, substância que provoca sensação de bem-estar, e ao efeito psicológico da interação com outras mulheres, aumentando assim o apoio social e a autoestima."O trabalho contribui com o tratamento, ainda mais no contexto atual em que a reposição hormonal desperta controvérsias pelo risco associado de tumores de mama e útero", resume outra autora do trabalho, Tais Tinucci, da Faculdade de Educação Física.A menopausa ocorre quando os ovários deixam de produzir os hormônios estrógeno e progesterona e o fluxo menstrual cessa. Em média, isso acontece quando a mulher tem entre 45 e 50 anos (mais informações nesta pág.). Em alguns casos, o tratamento indicado é a reposição hormonal para restaurar a concentração do estrogênio. Há, no entanto, estudos recentes que ligam a reposição hormonal ao aumento de risco do aparecimento de tumores.MELHORA GRADUALPara a pedagoga Maria Teresa Leite, a melhora nos sintomas com a prática de exercícios físicos demorou pelo menos três meses após entrar na academia. "Não foi de uma hora para outra, mas percebi a diferença quando saí de férias e fiquei sedentária por 15 dias, tudo voltou de novo", conta ela, que nunca gostou de exercícios.Professora de uma rede de academias destinadas a mulheres, Regina Bento de Oliveira diz que esse é o perfil de quase metade de suas alunas. "Elas nunca fizeram exercício ou fizeram há muitos anos e começam a se motivar depois de alguns meses, quando percebem a diferença nos sintomas", afirma a professora.