Exame suspenso por greve será retomado

Ricardo Westin - O Estado de S.Paulo

Liminar determina que fornecimento de materiais radioativos usados no diagnóstico e tratamento de câncer seja normalizado amanhã

Faltam apenas três semanas para que a Fundação Zerbini, de São Paulo, deixe a administração do Instituto do Coração de Brasília (Incor-DF), mas ainda não se sabe quem se encarregará do hospital.A Zerbini anunciou que logo dará início ao processo de aviso prévio dos funcionários, encerrará os contratos com os fornecedores e transferirá os pacientes internados para outros hospitais da rede pública do Distrito Federal.Inaugurado em 2004, o Incor-DF atende aos moradores de Brasília, das cidades satélites e dos municípios vizinhos de Goiás e Minas. Faz parte do sistema público de saúde e é, na região, o único hospital credenciado para realizar transplantes de coração e fígado.No fim do ano passado, tornou-se público que a Fundação Zerbini passava por uma grave crise, afogada numa dívida de cerca de R$ 245 milhões. A Zerbini também administra o Incor de São Paulo, que é ligado ao Hospital das Clínicas. Diante dos possíveis impactos no Incor-SP, o governo paulista assumiu parte da dívida. Mas impôs uma série de ajustes financeiros, como deixar o Incor-DF e investir só no Incor-SP.O futuro do Incor-DF ficou decidido em junho, quando se acertou que no dia 28 de dezembro a Zerbini sairia definitivamente e o hospital passaria a ser administrado pelo governo federal ou por alguma instituição indicada por ele. Passados seis meses, não se sabe quem o administrará.Há desavenças entre os ministérios da Saúde e da Defesa. O Incor-DF funciona dentro do Hospital das Forças Armadas. No tratamento do coração, os militares têm atendimento preferencial. A Defesa teme que, com a federalização, o Incor-DF torne-se mais um hospital público, com todas os problemas decorrentes dessa situação.A indefinição sobre o Incor-DF preocupa tanto a população quanto as autoridades da capital federal. Nos últimos dias, o governador José Roberto Arruda (DEM) procurou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, pedindo uma solução, e também o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), que poderia interceder para que a Zerbini continue à frente do Incor-DF até que se escolha o novo administrador. "Ainda estamos em negociações, mas posso garantir que o Incor não vai fechar as portas", afirmou o secretário de Saúde do Distrito Federal, José Geraldo Maciel. No fim de semana, o Ministério Público do DF entrou na Justiça com ação exigindo que a Zerbini mantenha o funcionamento pleno até o dia 28.