Exame precoce não aumenta sobrevida

THE NEW YORK TIMES e AP - O Estado de S.Paulo

Estudo trata de tumor reincidente descoberto em teste periódico

Pesquisadores britânicos disseram ontem que a detecção precoce do câncer de ovário reincidente não ajuda uma mulher a viver mais tempo. A conclusão vai contra a ideia de que quanto mais cedo o câncer é descoberto e tratado, melhor. E pode levar médicos e pacientes a reavaliarem a necessidade de exames periódicos. Segundo esse novo estudo, apresentado na reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, em Orlando, Flórida, as mulheres que iniciaram o tratamento quimioterápico precocemente, com base nos resultados do exame, não vivem mais do que aquelas que esperaram até os sintomas surgirem. "Pela primeira vez, as mulheres podem ter certeza de que não há nenhum benefício nos exames de controle para detectar precocemente um câncer reincidente", disse Gordon Rustin, diretor de oncologia médica no Mount Vernon Hospital, em Middlesex, Inglaterra, que liderou o estudo. Essa é mais uma de uma série de conclusões que sugerem que a detecção precoce do câncer pode não ajudar todos os pacientes. Estudo publicado em março indicava que a descoberta precoce do câncer de próstata por meio da busca de um antígeno específico não ajuda os homens a viverem mais tempo e tem levado a tratamentos desnecessários. O novo estudo não se refere aos diagnósticos iniciais de câncer ovariano, mas aos exames de controle posteriores. Os médicos afirmam que, se o diagnóstico inicial for feito precocemente, o que é muito difícil, o tumor pode ser tratado com cirurgia. Mas, no caso de um câncer de ovário reincidente, a cirurgia não é uma opção. NOVO USO O Herceptin, remédio da Roche para câncer de mama, pode vir a fazer parte do tratamento de câncer de estômago. Segundo estudos apresentados também na reunião, a droga aumentou a sobrevida média de pacientes com tumores no estômago. Em Orlando, cientistas anunciaram que uma nova classe de remédios, os inibidores de poli (ADP-ribose) polimerase (Parp), é promissora no combate ao câncer de mama e que uma vacina contra linfomas não Hodgkin também é pesquisada.