Ex-aluno ganha atenção de universidades privadas

Renata Cafardo - O Estado de S.Paulo

Pesquisa mostra que 47% delas já têm programa para os formados, que inclui descontos, uso da biblioteca e ajuda no mercado de trabalho

As universidades privadas brasileiras começam a descobrir o poder do ex-aluno. Comuns principalmente nos Estados Unidos, os programas de relacionamento com formados já existem em 47% das instituições particulares de ensino superior do País.Ao organizar eventos para eles, dar descontos e até ajudar no direcionamento da carreira de ex-estudantes, as universidades garantem o fortalecimento da marca da instituição, crucial em um mercado cada mais vez concorrido."Os alunos de hoje vão casar, ter filhos, as instituições começam a pensar no futuro. Isso começa a ser importante na época de vacas magras", diz o presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), Gabriel Mario Rodrigues. A entidade é a responsável pela pesquisa que mostra o crescimento dos programas para egressos, hoje visto como uma estratégia de marketing. Segundo o estudo, feito com 211 instituições do Brasil, 38% delas oferecem descontos para novos cursos e permissão para uso de biblioteca ou laboratórios. Outras 24% acompanham a situação do ex-aluno no mercado e 13% o ajudam efetivamente a arrumar um bom emprego. O Ibmec São Paulo começou em 2002 um programa com eventos anuais, uso da biblioteca e permissão para assistir a aulas aos ex-alunos. Neste ano, passou também a oferecer um trabalho de direcionamento de carreira gratuito. "O compromisso escola é o de desenvolver o aluno, e isso continua depois que ele sai daqui", diz a gerente de desenvolvimento de carreira do Ibmec, Maria Ester Pires da Cruz. Ela explica que a instituição tem convidado seus ex-alunos para serem mentores dos atuais e ajudá-los a desenvolver competências, clarear interesses e se preparar para o mercado de trabalho.Outro trabalho é o de oferecer um atendimento direto ao ex-aluno que precisa de ajuda em sua carreira. Osmar Jesus Martins, de 42 anos, cursou MBA no Ibmec e, depois de formado, recebeu aconselhamento da instituição para se reposicionar no mercado. "Discutimos meu currículo, as experiências e pude me abrir para outras áreas de atuação", conta ele. "Esse tipo de programa vai logo ser considerado uma vantagem competitiva", diz o especialista e consultor da área de educação superior Carlos Monteiro. A empregabilidade do aluno faz parte do que ele chama de "ciclo contínuo" na relação entre o estudante e a universidade. "O testemunho do aluno é muito importante para a valorização da marca."Na Fundação Getúlio Vargas (FGV), há conferências mensais para ex-alunos com professores da instituição sobre temas atuais. "O vínculo é importante para que o ex-aluno empregue os atuais, mande seus funcionários fazerem cursos aqui ou compre cursos in company", diz o professor da instituição Jacques Gelman. Além disso, um dos objetivos da FGV, que tem cerca de 100 mil ex-estudantes, é o de conseguir doações para seu fundo de bolsas, que garante a graduação de jovens carentes na instituição. Esse tipo de estratégia é comum nas universidades americanas, que sobrevivem pela força de seus ex-alunos. A Universidade Harvard, por exemplo, que já formou cerca de 300 mil pessoas de vários países, recebeu US$ 34 bilhões em doações no ano passado. Lá, há diversos clubes, viagens e outros eventos para ex-alunos. "Harvard tem muita sorte de ter ex-alunos e amigos pelo mundo que se preocupam profundamente com a missão de ensino e pesquisa da universidade", disse a diretora de relações institucionais de Harvard, Ellen Sullivan.