Etiqueta escolar: qual é o figurino nota 10?

Giuliana Reginatto, do Jornal da Tarde - O Estado de S.Paulo

Na última semana, uma escola de Goiás proibiu trajes justos e curtos. Os especialistas se dividem entre o direito de expressar a sensualidade e o respeito a regras. Algumas escolas têm saídas criativas

Minissaia traduz sensualidade. Se for de grife, evoca status. Esse é o código em Elite Way School, a escola fictícia onde as adolescentes do seriado Rebelde desfilam modelos curtíssimos acompanhados por botas de salto. Pernas de fora também circulam por Malhação, da TV Globo. Nos colégios reais, educadores e famílias discutem métodos para conciliar o desejo de expressão por meio das roupas com as regras de cada ambiente escolar. Localizada na periferia de Goiânia, a Escola Juvenal José Pedroso ganhou o noticiário nacional na semana passada ao proibir trajes curtos ou justos nas salas de aula. A direção criou a determinação depois que alguns meninos passaram a constranger e fotografar as colegas.   Conselheira da Associação Brasileira de Psicopedagogia, Maria Irene Maluf acredita que na ausência do uniforme a escolha do vestuário compete aos pais. "A família deve estar mais preparada para educar. O comprimento da saia da garota, por exemplo, não é problema da escola. Certa vez, chamei os pais de uma aluna que só usava roupas transparentes. Adivinhe como a mãe apareceu na escola? De vestido transparente", conta.   No Colégio Global, na Pompéia, o Ensino Médio está liberado do uniforme. Mas há regras: chinelo, minissaia e decotes ousados estão vetados. "Sempre sou mandada para a coordenação por causa da roupa. Já vim com uma blusa tomara-que-caia que era comprida e larguinha, mas não deixaram. Outro dia, estava de shorts na educação física e minha mãe teve de trazer a calça", conta Mariana Pedroso, 17 anos. Nathali Ramires, 16, também já foi barrada por causa do figurino. "Já perdi aula por causa de blusa muito decotada. Tive de esperar minha mãe trazer outra", lembra. A colega Maria Carolina Duarte, 16, reclama do calor. "No verão é ruim só usar tênis. Seria ótimo vir de saia, chinelo, rasteirinha".   Coordenadora pedagógica do Global, Eliana Santos garante que as restrições sobre a indumentária escolar são tratadas de forma educativa, nunca impositiva. "Trabalhamos com o diálogo, tentando explicar o porquê da proibição. Escola não é clube ou festa, portanto a roupa não deve ser o centro das atenções. Um exemplo é a calça de cintura baixa. Os meninos faziam gozações quando as meninas sentavam. Fizemos uma reunião com elas e combinamos que blusinha curta com calça baixa não as deixavam confortáveis no ambiente escolar."   Entre os meninos do Global, a flexibilidade de regras permite até camiseta de time de futebol. "Eu acho ótimo, mas para quem não tem tanta condição de ter roupas legais fica chato", argumenta Gustavo Engelmann, 17. Grasiela Motolla (foto no alto), da EEEF Vinte de Setembro, concorda com ele. E diz que adoraria usar uniforme. "Acho que todo mundo ficaria em uma mesma classe social porque a diferença é grande entre patricinhas e as mais pobres", comenta.   Na Escola Carlitos, de Higienópolis, o uniforme se tornou obrigatório nos últimos anos, o que diminui a polêmica em torno do assunto. Mesmo assim, sempre aparece alguém querendo customizar as roupas. "Apesar da exigência, estamos abertos para negociar. No ano passado, pedimos que as meninas trouxessem as bermudas que gostam de usar para que chegássemos a um modelo bacana para a escola", conta a coordenadora da instituição, Laura Duarte.   Psicopedagoga e psicanalista, Cláudia Arbex diz que as escolas deveriam aproveitar discussões desencadeadas pela escolha da roupa - como a exacerbação da sexualidade e as diferenças sociais - para discutir tais temas com profundidade. "É sensual mostrar a barriga? Fala-se tanto em educação sexual, mas como ensinar sobre sexo se proibimos qualquer manifestação da sexualidade? O uniforme de Rebelde, por exemplo, é erotizado. A escola poderia aproveitar o caso para analisar a questão. Afinal, o papel da educação é despertar o olhar crítico."     Enquete Pelo estadao.com.br, 1.002 internautas responderam à seguinte questão: ‘Como você vê a proibição roupas curtas e decotadas nas escolas?’ 65% - Regras evitam a diferenciação entre os alunos. Ter um uniforme é a solução ideal 23% - A escola exige, sim, vestimentas mais sóbrias 8% - Fere a individualidade e o estilo do aluno 5% - A roupa deve ser vistoriada pelos pais   Dicas Alana Rodrigues Alves Consultora de imagem. Saiba mais: www.consultoriadeimagem.com.br * Calça jeans é sempre boa opção. Esqueça as de cintura muito baixa. Barriga de fora só na praia. * Muitas pulseiras podem fazer barulho e atrapalhar a concentração dos outros. * Chinelo na escola é desleixo total. Se enjoar do tênis, use sapatilha e anabela. Salto alto é desconfortável. * Use no máximo gloss ou batom cor-de-boca e rímel. Deixe sombra e lápis para as festas.