Estudo associa apneia à origem genética

Alexandre Gonçalves - O Estado de S.Paulo

Descendentes de europeus têm mais chance de sofrer apneia, distúrbio respiratório que ocorre durante o sono, normalmente associado ao ronco. É o que mostra pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com 1.010 pessoas que realizaram o exame de polissonografia no Instituto do Sono.Os pesquisadores usaram análise genética para determinar a ancestralidade (europeia, africana ou indígena) de cada participante. Como há uma grande miscigenação no País, um programa de computador determinou a proporção das três categorias para cada indivíduo. Uma pessoa poderia, por exemplo, apresentar 70% de ancestralidade europeia, 20% de africana e 10% de indígena."Foi o primeiro estudo epidemiológico brasileiro que analisou a associação entre ancestralidade genética e uma doença", aponta Camila Guindalini, principal autora do artigo, que será apresentado em novembro no Congresso Internacional da Associação de Medicina do Sono.No grupo de pessoas que sofriam de apneia, a ancestralidade europeia média foi de 78,2%. Nos indivíduos sem o distúrbio, caiu para 73,5%. A ancestralidade africana apareceu como um fator protetor. O porcentual médio era significativamente maior nas pessoas sem a doença: 20,1%, em comparação com os 16,1% das pessoas que sofriam de apneia.Os pesquisadores usaram métodos estatísticos para eliminar a interferência de outras variáveis associadas à doença, como sexo - o distúrbio é mais comum em homens - e obesidade. Cerca de 33% dos participantes no estudo tinham apneia.