''Estudantes mais abastados terão os melhores resultados''

FABIANA CIMIERI - O Estado de S.Paulo

Coordenador de um dos maiores vestibulares federais do País, Néliton Ventura, de 53 anos, da Universidade Federal Fluminense (UFF), é contra o novo modelo de Enem.Qual é a sua posição em relação à ampliação do Enem? A proposta está baseada na ideia de que vestibular é feito de decoreba e pegadinha. Eu não visto essa carapuça e acho que ela não se enquadra na maioria das federais. Um segundo aspecto é o incentivo à mobilidade. Em princípio é ótimo. Mas o ideal é que ocorra entre várias universidades. O MEC alega que o estudante de Rondônia vai poder fazer o Enem modificado lá e concorrer a uma vaga na UFF, mas dificilmente essa mobilidade se dará nesse sentido. Os estudantes mais abastados, de escolas privadas do Rio, São Paulo ou Santa Catarina terão os melhores resultados do Enem.Esses estudantes não dariam preferência a uma vaga no seu próprio Estado? A oferta de vagas nas públicas no Rio não é igual à demanda dos alunos. O pai de classe média, em vez de pagar R$ 1.000 para o filho estudar Medicina numa faculdade privada, paga a manutenção do filho para ele fazer Medicina na Universidade Federal do Amazonas, por exemplo.