Estoque de vacina está baixo no País

Lígia Formenti - O Estado de S.Paulo

Na reserva de emergência são 30 mi de doses a menos que o recomendado; não faltará produto, diz laboratório

O estoque estratégico da vacina contra febre amarela está muito abaixo do considerado ideal. Atualmente, estão armazenados 10 milhões de doses do concentrado viral, 30 milhões a menos do que o recomendado. O estoque regular é de 40 milhões.   Mais informações e dados sobre a febre amarelaA expectativa é de que os estoques sejam regularizados somente no fim do ano. Até lá, as exportações da vacina continuarão suspensas - medida adotada desde o ano passado. "A prioridade é garantir a demanda do País", afirmou o diretor do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos), Akira Homma. A redução dos estoques estratégicos, garantiu o diretor, não deve alarmar a população. "A produção para atender às necessidades mensais está garantida. O estoque é uma segurança." Os problemas envolvendo a vacina de febre amarela começaram nos primeiros meses do ano passado, quando um maior número de casos da doença foi registrado e a população correu aos postos de imunização. Entre dezembro de 2007 e julho de 2008, foram registrados 45 casos de febre amarela no País e 25 mortes. Diante do aumento expressivo da procura, Bio-Manguinhos, maior produtor mundial da vacina e único fabricante no País, suspendeu as exportações. Em julho, veio o outro baque, desta vez na produção do produto. Diante de uma contaminação de ovos usados no preparo da vacina, parte da produção foi interrompida. "Não paramos de fornecer ao ministério o quantitativo mensal, porque havia estoques da solução viral, usada para o preparo da vacina", conta Homma. Mas o problema acabou afetando a velocidade da produção.Os ovos usados na fabricação da vacina contra febre amarela são especiais, livres de agentes patogênicos. "Nem sempre foi assim. Durante muito tempo usávamos ovos comuns. Mas estes são muito mais seguros", conta o diretor de Bio-Manguinhos.Com esses ovos, por exemplo, afasta-se o risco de contaminação por salmonelas, tuberculose e outros vírus. Com a suspensão do fornecimento da empresa brasileira, Bio-Manguinhos encomendou a compra do produto para duas empresas internacionais. "Mas nada é imediato. Parte do produto chegou com problemas, houve dificuldade na liberação dos ovos na alfândega." De acordo com Homma, somente no fim de novembro a produção foi totalmente regularizada. Neste meio tempo, houve um impacto na produção. "Parece que ano passado tinha um urubu por aqui, foi um ano cheio de problemas", comentou.PROBLEMA LOCALIZADOA contaminação afetou somente a produção de vacinas contra febre amarela. A tríplice viral, também produzida por Bio-Manguinhos, passa por um processo de transferência de tecnologia e, até que o processo se complete, parte da produção é feita fora do País. Para evitar que problemas como o que ocorreu no ano passado se repitam, Bio-Manguinhos deverá manter a compra de ovos de mais de um fornecedor. "Não podemos correr riscos", afirmou Homma. Bio-Manguinhos fornece mensalmente ao Ministério da Saúde 1,5 milhão de doses de vacina contra febre amarela. O produto final, porém, é diferente daquele mantido no estoque estratégico. Lá permanece o concentrado viral, preparado com termoestabilizadores. Somente em uma outra etapa ele é envasado e liofilizado (desidratação de substâncias realizada em baixas temperaturas). Homma diz que a capacidade para produção da suspensão viral é de 4 milhões a 5 milhões de doses mensais. "Todos os meses produzimos mais do que o necessário. E parte do material vai para o estoque. Com problemas do ano passado, isso ficou prejudicado."