Estilo que cabe no bolso

Agencia Estado - O Estado de S.Paulo

Noventa, ou noventa e nove centavos. Os preços das peças deste mini-editorial terminam sempre assim: com vírgula 99, ou vírgula 90. Antes desses numerais, somente dois dígitos em reais, não raramente terminados em nove (49, 39, 59). É o valor abaixo da centena (nada custa mais de R$ 100) e os centavos beirando o real que diferenciam os looks aqui apresentados daqueles que são vistos em revistas especializadas e desfiles de moda.» Veja galeria de fotos com dicas de comprasTrata-se da tendência da ?democratização da moda?, que traz para muitos o direito - por assim dizer - de vestir o que é fashion sem gastar os tubos. Para a sorte da massa feminina, essa aposta está em alta tanto em lojas de departamento do hemisfério norte (como as famosas H&M e TopShop), quanto nas não menos conhecidas do Brasil, como as Lojas Marisa, Renner e C & A. As estrangeiras Top Shop e H&M, por exemplo, são hit na Europa. Trabalham com o conceito de fast fashion, que, traduzido a grosso modo, significa a prática de pendurar nas araras da loja, durante dias, o que esteve nas passarelas na semana anterior. Os preços , é claro, são acessíveis: não raramente graças ao uso criticado de mão de obra barata, tema que não cabe aqui no momento, até porque isso não se repete nas lojas similares do Brasil. No mais, porém, tudo nos serve de modelo. Até o fato de grandes estilistas emprestarem seus nomes para essas redes populares. Caso de Walter Rodrigues, a dupla Fernanda de Goeye e Paula Raia (Raia de Goeye) e Marcelo Sommer para C & A. Assim como Karl Lagerfeld (Chanel) e Stella Mc Cartney para a européia H & M. Colaborações que desaparecem das lojas na mesma velocidade em que aparecem - ou seja, muito rapidamente. Veloz também é aceitação da classe alta a essa proposta democrática. A top model Kate Moss, por exemplo, mescla no seu guarda-roupa peças de grifes de luxo às compradas ou ganhadas de marcas populares. A também inglesa Sienna Miller (atriz-queridinha dos fashionistas), idem. Por enquanto não é possível citar nomes de celebridades brasileiras rendidas a esse mercado. No entanto, Luiz Eliseo de Mello, diretor de Marketing da Renner, diz que as classes A e B brasileiras têm forte presença no pool de clientes da empresa. Não é à toa que essas redes contam com pesquisadores de tendência que viajam constantemente para cidades como Paris, Nova York e Londres, com o objetivo de apostar - e acertar - em peças que serão fashion na próxima estação. Mais uma vez: sorte nossa!