''Estado'' completa hoje 134 anos

- O Estado de S.Paulo

Descontado período de intervenção do Estado Novo, sob Getúlio Vargas, jornal celebra 129 anos de atuação livre

O jornal O Estado de S. Paulo, que comemora hoje 134 anos de fundação e 129 anos de vida independente, está lembrando desde junho seu passado de luta pela liberdade e pela democracia com o lançamento de dois livros e a promoção de uma exposição de fotografias e textos sobre os períodos mais marcantes de sua trajetória. O livro Páginas da História, reedição ampliada da versão publicada em 2000, é uma coletânea de 227 capas ou primeiras páginas do jornal com os fatos que marcaram o País e o mundo entre 4 de janeiro de 1875 - quando o Estado nasceu com o nome de A Provincia de São Paulo - e 13 dezembro de 2007, data em que a manchete anunciou a extinção da CPMF. Essa coleção documenta a batalha de Julio Mesquita, que assumiu o cargo de diretor-gerente em 1888, em defesa da abolição da escravatura e da proclamação da República - duas conquistas que a Provincia noticiou com grande destaque. Com a mudança do regime, o jornal mudou o nome para O Estado de S. Paulo, em janeiro de 1890. Outras páginas memoráveis desse livro, publicado sob a coordenação de José Alfredo Vidigal Pontes, retratam a Guerra de Canudos em 1897, a Revolta da Chibata em 1910, o atentado de Sarajevo e início da 1ª Guerra em 1914, a revolução bolchevique na Rússia em 1917 e todos os acontecimentos que foram manchetes nos anos seguintes. Da chegada do homem à Lua e da Guerra do Vietnã ao assassinato do presidente John Kennedy nos Estados Unidos, tudo está ali "numa narrativa realista e objetiva", escrita "o impacto dos fatos, mas sempre complementada pelo comentário crítico e opinativo do editorial que enriquece o processo histórico-dialético", como escreveu Ruy Mesquita na apresentação do livro. No Brasil, tiveram destaque a Revolução de 1924, o período do governo de Getúlio Vargas, a participação da Força Expedicionária Brasileira na 2ª Guerra, a redemocratização do País em 1945, o movimento militar de 1964 e a luta do Estado e do Jornal da Tarde, fundado em 1966, contra as arbitrariedades do Ato Institucional nº 5. EXÍLIO A oposição a Getúlio Vargas, na Revolução Constitucionalista de 1932, custou a prisão e o exílio a Julio de Mesquita Filho e Francisco Mesquita, seus diretores desde a morte do pai, Julio Mesquita, em 1927. Expatriados para Portugal, eles voltaram ao País quando seu cunhado Armando de Salles Oliveira foi nomeado interventor e em seguida eleito governador de São Paulo. Foram perseguidos outra vez durante o Estado Novo: a ditadura Vargas ocupou a redação por cinco anos, período que o jornal não conta em sua história. A censura imposta pelo AI-5, baixado em 13 de dezembro de 1968 pelo presidente Costa e Silva, é o tema de Mordaça no Estadão, livro-reportagem lançado por O Estado de S. Paulo com texto de José Maria Mayrink. Ilustrado com dezenas de fotos, a obra reproduz páginas censuradas no período, quando as matérias vetadas eram substituídas por poemas de Camões (no Estado) e receitas culinárias (no Jornal da Tarde). Mayrink ouviu mais de 40 testemunhas, na maioria jornalistas que trabalharam nos dois jornais durante a repressão. Todos ressaltam a coragem e firmeza de Julio de Mesquita Neto e de Ruy Mesquita na resistência à censura. O Grupo Estado montou também a exposição 1968 - Mordaça no Estadão para documentar a censura, da edição do AI-5 até 4 de janeiro de 1975, quando o presidente Ernesto Geisel retirou os censores, na comemoração do centenário do Estado. Com coordenação e pesquisa de Regina Mara Teles e texto de José Alfredo Vidigal Pontes, a exposição itinerante pôde ser vista, entre junho e dezembro, em São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte e Rio. A comemoração dos 134 anos de existência do Estado lembra também o aniversário de fundação da Rádio Eldorado (1958), do Jornal da Tarde (1966) e da Agência Estado (1970). São ainda empresas do grupo a Oesp Mídia (1984), Oesp Gráfica (1988), Broadcast AE (1991) e Portal Estadão (2000) - www.estadao.com.br.