Espécies idênticas habitam Oceano Ártico e Antártida

Efe, TORONTO - O Estado de S.Paulo

Entre elas estão aves, vermes, crustáceos e caracóis

Cientistas do Censo da Vida Marinha (Coml, na sigla original em inglês) anunciaram ontem a descoberta de 235 espécies idênticas que vivem tanto no Oceano Ártico quanto nas águas que cercam a Antártida, apesar dos 11 mil quilômetros de distância que os separam. Entre as espécies descobertas estão baleias cinzas e aves. Os cientistas também identificaram vermes, crustáceos e caracóis pterópodes que parecem ser os mesmos em ambas as águas polares.A diversidade e o grande número de espécies semelhantes deixaram os cientistas perplexos. A pesquisadora Bodil Bluhm, da Universidade Fairbanks do Alasca (EUA) é uma das cientistas que participaram das expedições árticas do Coml. Ela disse esperar pela confirmação das descobertas. "Não temos certeza do que tudo isso significa. Se for confirmado, deveremos estudar os mecanismos de distribuição", disse Bodil.Outra descoberta são as provas de que espécies que preferem águas frias estão emigrando para os polos para escapar do aquecimento das águas oceânicas. O Censo da Vida Marinha emitirá seu primeiro relatório em 4 de outubro de 2010 e revelará que os oceanos são habitados por entre 230 mil e 250 mil espécies. Cerca de 7,5 mil vivem nas águas da Antártida e 5,5 mil se encontram no Ártico. O cientista alemão Julian Gutt, do Instituto Alfred Wegener e líder de uma das principais expedições do programa à Antártida, acrescentou que as perguntas mais interessantes que essa descoberta sobre as espécies coloca são: "Por que vivem a tanta distância?" e "Como podemos explicar?"Ron O?Dor, diretor científico do programa, disse que o trabalho está na "etapa de síntese, tentando reunir todos os 17 diferentes projetos para dar ao mundo uma imagem da biodiversidade dos oceanos do planeta". "Estes dois grupos, que chamamos de oceanos gelados, o Ártico e a Antártida, estão entre os primeiros a desenvolver seu censo" acrescentou O?Dor.RIQUEZAGutt disse que as pesquisas realizadas nos dois últimos anos revelam uma riqueza da vida marinha insuspeitada. Segundo ele, ao contrário das teorias dominantes desde os anos 70, o fundo marinho que cerca a Antártida forma uma só região biológica, embora os lados opostos do continente estejam a 8,5 mil quilômetros de distância.Ao mesmo tempo, graças aos resultados da análise de DNA de polvos, os cientistas acreditam que as águas da Antártida servem para revitalizar a fauna oceânica no resto do mundo.Sua teoria é que novas espécies aparecem durante épocas de crescimento do gelo na Antártida. Quando o gelo se retira, essas espécies começam a se propagar para o norte, colonizando novas áreas.Enquanto isso, no Ártico, Bodil também constatou que espécies marinhas de reduzido tamanho estão substituindo outras maiores em algumas águas árticas, o que pode estar relacionado à mudança climática.