Especialistas querem mais centros de referência

Fabiane Leite e Emilio Sant?Anna - O Estado de S.Paulo

Houve aumento dos casos, mas não dos locais de atendimento no País

A explosão de casos de gripe suína nas últimas semanas ocorreu sem o aumento significativo dos serviços de referência para o atendimento da população, reclamam especialistas. O total de serviços, 62, segundo o último informe do Ministério da Saúde, não é muito diferente do que estava mobilizado no início de maio, quando o País registrou seus primeiros 4 casos e tinha 54 hospitais disponíveis. O Brasil já soma 522 notificações da nova gripe, a maioria (260) em São Paulo, que tem hoje 16 hospitais em todo o Estado. O ministério informou que a expansão é tarefa dos Estados. "Já deveriam ter entrado outros hospitais e serviços ambulatoriais. O número aumentou. E muitas empresas, por causa da confirmação de caso de um funcionário, nos ligam e querem mandar todos os vinte que trabalhavam na área, mesmo que não tenham sintomas", reclama a infectologista Nancy Bellei, da Universidade Federal de São Paulo. Ela responde pelo atendimento dos casos de gripe suína no Hospital São Paulo, uma das unidades de referência e que tem feito até 30 atendimentos diários. No Instituto de Infectologia Emílio Ribas, a situação não é diferente. Os seis médicos que atuam no pronto-socorro do hospital costumam fazer cerca de 80 atendimentos diários. Agora, fazem entre 240 e 260 consultas de pacientes com suspeita de gripe suína por dia. Muitos dos pacientes chegam mesmo sem os sinais da doença. "Alguém ouve no trabalho que existe um caso confirmado e vem para cá, até com razão, pois só vai saber se está doente vindo ao hospital", diz o médico Cláudio Gonsalez. Ele afirma que mesmo com a sobrecarga de pacientes, o hospital está capacitado para fazer os atendimentos. A abertura de novos centros, porém, facilitaria o trabalho. "Essa possibilidade já foi comentada, mas até agora não tivemos nenhuma resposta", afirma Gonsalez. Os serviços de referência são aqueles que têm capacidade técnica e operacional para acolher pessoas com a nova doença. Quando o Brasil elaborou o plano de contingência de uma eventual pandemia de influenza, definiu que os hospitais de referência deveriam ter leitos de isolamento. Com a ameaça do novo vírus, secretarias estaduais e municipais iniciaram preparo para expandir a rede, incluindo os serviços ambulatoriais para atender os doentes menos graves. Como os casos suspeitos não têm mais necessariamente de ser internados, a não ser que sejam graves, alguns hospitais tiveram de improvisar uma ala para recepção e atendimento ambulatorial, caso do pronto-socorro do Hospital São Paulo (mais informações nesta página). Nesta semana, Campinas pediu à Secretaria de Estado da Saúde o aumento de hospitais de referência no município. Hoje, apenas o HC da Unicamp está atendendo pacientes com suspeita da gripe suína. Segundo a pasta, eventuais novos credenciamentos estão sendo avaliados, mas até o momento não há necessidade de mudança.