Especialistas elogiam grupos para captar órgãos

Lígia Formenti - O Estado de S.Paulo

A iniciativa do Ministério da Saúde de criar um serviço em hospitais de grande movimento de emergência para detectar doadores de órgãos foi bem recebida por especialistas, mas com algumas ressalvas. Diretor da Unidade de Transplante Renal da Universidade Federal de São Paulo, o médico José Osmar Medina Pestana acredita que uma pessoa para essa função é suficiente. "Caso comecem a fazer algo muito ambicioso, não vai sair do papel", avisa. Convidado a participar de uma reunião em Brasília para discutir a proposta, que será editada nos próximos meses numa portaria, ele vai defender uma composição enxuta. "Basta a pessoa ser bem treinada para grande progresso na captação", afirmou. "Cerca de 80% dos casos de morte cerebral não são informados, as famílias não são consultadas", diz. Em sua avaliação, esse é o grande entrave para ampliar o número de transplantes no País. Para a presidente da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), Maria Cristina Ribeiro, a idéia é bem-vinda. "Mas, se a lei estivesse sendo cumprida, não seria necessário. O ideal seria que as comissões intra-hospitalares estivessem funcionando em todo o País." Hospitais com mais de 80 leitos devem formar uma equipe com profissionais de saúde encarregada de detectar pacientes com morte cerebral, contatar família e a central. Prevista para ontem, a votação pela Comissão de Assuntos Sociais do Senado de alteração das regras para doação de órgãos foi adiada.