Escolhida a substituta de Zilda Arns na pastoral

Evandro Fadel, CURITIBA - O Estado de S.Paulo

A médica pediatra e sanitarista Zilda Arns, de 73 anos, deixará o cargo de coordenadora da Pastoral da Criança, que ela fundou e coordena há 25 anos, em fevereiro do próximo ano, dando lugar à irmã Vera Lúcia Altoé, atualmente secretária do conselho diretor. A irmã foi escolhida para o cargo pelo presidente eleito do conselho, d. Aldo Di Cillo Pagotto, arcebispo da Paraíba. Durante a 13ª Assembléia da Pastoral da Criança, que se realiza em Curitiba, a entidade definiu como desafio para os próximos anos a ampliação de sua atuação, que atinge atualmente 20% das crianças pobres do País. No entanto, uma missão imediata deve levar Zilda a Brasília, no dia 5 de dezembro, para uma reunião no Ministério do Planejamento, com o objetivo de alterar o Decreto nº 6.170/07, previsto para entrar em vigor a partir de janeiro, com o intuito de combater fraudes e evitar influência política em convênios. "Foi mal elaborado", disse Zilda. Um dos itens proíbe convênio com entidades que tenham na direção membros dos três Poderes e do Ministério Público ou parentes até o segundo grau. "Quem é corrupto dá um jeito, arruma um laranja, e quem é honesto não precisa se valer de parentes", acentuou. O senador Flávio Arns (PT-PR) é sobrinho de Zilda. "Nunca pedi nada a ele", garantiu. Segundo ela, o que pode inviabilizar a Pastoral da Criança é a exigência de celebração de convênios e repasse de recursos de forma descentralizada. Além disso, as transferências financeiras precisarão ser feitas por intermédio de bancos oficiais. Para Zilda, muitas comunidades pobres do interior do Brasil, alvo preferencial da pastoral, não têm condições de fazer transações bancárias e ainda precisariam de contadores. "É impossível administrar a pobreza por conta corrente", criticou. "A pastoral centraliza a burocracia e descentraliza as atividades." Membro da Congregação das Irmãs da Imaculada Conceição de Castres, também conhecida como Irmãs Azuis, a irmã Vera Lúcia Altoé nasceu em Cachoeiro do Itapemirim (ES), mas há 31 anos trabalhava em Mato Grosso. Agora, passa a residir em Curitiba, onde fica a sede da Pastoral da Criança. Nesse trabalho, irmã Vera Lúcia entrou há 21 anos. Ela classificou como "grande desafio" a ampliação da cobertura da pastoral, que tem como princípio reduzir a mortalidade infantil, a desnutrição e a violência. "A Pastoral da Criança conquistou o espaço político no País pelo seu jeito de trabalhar", acentuou Zilda Arns. Ela continuará ajudando no trabalho.