Escolas terão aulas de massagem cardíaca

Fabiane Leite - O Estado de S.Paulo

Professores e alunos de escolas públicas de diferentes partes do País deverão ser treinados em massagens cardíacas e respiração boca a boca para socorrer pessoas com parada cardiorrespiratória. O objetivo é que eles multipliquem o conhecimento até que se atinja 455,7 mil pessoas no Brasil.   Veja a sequência completa de uma massagem cardíacaO projeto piloto do hospital privado Sírio-Libanês e do Ministério da Saúde começa por São Carlos (SP). Outras três cidades com menos de 250 mil habitantes - Apucarana (PR), Camaçari (BA) e Itanhaém (SP) - também já foram convidadas. "Todo mundo conhece a história de alguém que caiu desacordado na rua, em casa, mas aí ninguém sabia o que fazer", afirma Roberto Padilha, diretor do Instituto de Ensino e Pesquisa do hospital. A literatura científica aponta que a atuação de leigos no socorro de paradas cardiorrespiratórias é essencial para melhorar as taxas de sobrevivência. Cerca de 80% dos casos que acontecem fora dos hospitais se passam em casa e cerca de 50%, na frente de crianças. Após uma parada, cada minuto que a vítima não recebe socorro significa 10% a mais na chance de morte. "Uma pessoa pode morrer em dez minutos se não receber ajuda", explica o cardiologista Sérgio Timerman, do Instituto do Coração de São Paulo. O objetivo é que leigos façam parte de uma corrente para salvar vítimas de enfartes, derrames, entre outras situações que levam à morte súbita (em até uma hora após os sintomas), encadeados à chegada rápida da ambulância, uso de um desfibrilador e adequado atendimento no hospital. Outros estudos mostram que quando esta corrente funciona, a sobrevivência de pacientes chega a 50%, mas quando ela não funciona, é de 2%. A iniciativa tem investimento de R$ 6 milhões, em três anos, financiados pelo Sírio-Libanês, um dos hospitais que, após mudança na legislação, troca isenções fiscais por projetos para o SUS. O impacto da ação será estudado pelo hospital.