Escola depredada começa ano letivo

Vitor Sorano - O Estado de S.Paulo

Unidade marcada por briga cobra regras de segurança dos alunos

Às 6h50 de ontem, uma funcionária abriu o portão de ferro da escola estadual Amadeu Amaral, em São Paulo, que em novembro do ano passado ficou fechada por dois dias por causa da violência. Desde que os alunos enfrentaram a Polícia Militar, aumentou o rigor com as normas de circulação de estudantes na unidade. Mesmo assim, a reportagem ficou por cinco horas na unidade e chegou a assistir aula com a turma do 3º ano do ensino médio.Com a transferência de seis alunos identificados como responsáveis pelo quebra-quebra e a reforma completa do imóvel, o episódio foi reavivado em conversas de intervalo e nas boas-vindas dadas por alguns professores. "O armário caiu na minha perna. O médico diz que está bem, mas estou com a marca até hoje. Todo dia que eu olhar para a marca vou lembrar", disse, logo no início da primeira aula, uma professora.Os estudantes, com ironia, tratavam da depredação. "É um milagre. Se não tivessem destruído a escola inteira, ela ainda estaria um lixo. Dava para cabular aula, pois as janelas estavam quebradas. Tinha porta que o pessoal chutava e virou janela", diz um deles. "Mudou tudo. A sala aqui estava toda pichada. Tinha reforma (antes do episódio), mas o pessoal quebrava", afirma uma garota.Mudança também de conduta. Por volta das 7h10, no pátio, cada turma formou filas para seguir até a sala. "Não tinha esse negócio de filas", disse um dos 14 alunos do 3º ano. As carteiras novas estavam organizadas em duplas. A saída durante a aula estava controlada. Foi preciso pedir um cartão - com a frase "aluno em trânsito" - para ir ao banheiro ou tomar água. Um colega só podia sair quando o outro voltava. Os professores do 3º ano evitaram passar conteúdos de suas matérias. O material didático, que segundo a Secretaria da Educação chegaria ontem, atrasou. Na saída, cada turma foi chamada na sala pela funcionária.A secretaria atribuiu ao início do ano letivo, quando "os funcionários da escola não conhecem os novos alunos", o fato de o repórter não ter sido identificado. Sobre o atraso no material didático, informou que a direção da escola optou por orientar sobre vestibular e que a entrega será feita hoje.