Escola carece de instalação adaptada à necessidade especial

- O Estado de S.Paulo

Governo de SP diz que 50% das unidades terão acessibilidade até 2010

O elevador estava quebrado. E só sobraram as escadas para Dênis chegar à sala de informática no primeiro andar da Escola Municipal Alexandre de Gusmão, em Guaianases, na zona leste de São Paulo. Cadeirante, com paralisia cerebral, o aluno da 6ª série teve de ser carregado por um funcionário pela escada. Bastou um desequilíbrio para os dois rolarem degraus abaixo. "Ele bateu com a cabeça, mas não teve lesão, graças a Deus", diz a mãe, Maria de Fátima do Nascimento, de 44 anos. "O problema é que a escola não tem rampa e o elevador vive mais quebrado do que funcionando."Esse é o mesmo drama enfrentado pela maioria das escolas públicas. De acordo com a pesquisa do Ibope, 86% dos professores dizem que suas escolas não têm o espaço físico adaptado. O acidente com Dênis, no dia 7 de novembro, foi conseqüência dessa realidade.A coordenadora pedagógica da Escola Municipal Comandante Garcia D?Ávila, na zona norte de São Paulo, Luiza Harumi, afirma que sua escola atende mais de 20 alunos com algum tipo de deficiência e não tem elevador. "Temos poucas salas térreas. Por enquanto há só um aluno cadeirante matriculado. Se mais casos surgirem em diferentes séries, será difícil atendê-los."Ela também reclama do número de alunos por sala. "É difícil um professor com 35 alunos promover inclusão." Na sala de Dênis, há 43 estudantes. Regina Martins, professora de 3ª série da Escola Municipal de Educação Fundamental Coronel Tenório de Brito, na zona sul, ressalta que é possível fazer a inclusão em sala regular. "Hoje dou aulas por agrupamento, faço um mapeamento das necessidades de cada aluno, mas essa didática só adquiri após 20 anos de docência, quando recebi formação específica. O problema é que nem todos professores são capacitados."Maria Helena Guimarães de Castro, secretária estadual de Educação, reconhece o problema. "A acessibilidade é prioridade do plano de metas para Educação do governo. Até 2010 teremos a acessibilidade assegurada em 50% das 5,3 mil escolas estaduais", promete.Em nota, a Secretaria Municipal de Educação informou que, de 1,3 mil escolas da rede municipal, somente 69 não têm acessibilidade. Sobre o número de alunos por sala, justificou que a turma com deficientes só é reduzida "quando há necessidade"."Não podemos esperar as condições caírem do céu", diz a professora da rede municipal de Taboão da Serra Jurema Hirsh. No ano passado, ela promoveu a inclusão de cinco alunos com paralisia cerebral em salas comuns. "Levou tempo, mas agora eles têm condições de aprender."COLABOROU SAULO LUZ