Escola adota supervisão pedagógica

- O Estado de S.Paulo

Equipe ajuda e orienta professores sobre o conteúdo de cada disciplina

Primeiro colocado no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) nos últimos dois anos, o Colégio São Bento, no Rio, tem uma política bem definida de seleção e formação do professor. Há quatro anos, a escola criou o cargo de supervisora pedagógica, ocupado por Maria Elisa Penna Firme, com 30 anos de experiência no magistério. Além dela, existe um coordenador pedagógico para cada um dos quatro segmentos (1º ao 5º ano; 6º e 7º ano; 8º e 9º ano; ensino médio). Cada disciplina tem um outro coordenador para cuidar do conteúdo. Ou seja, o professor é orientado e cobrado nos mínimos detalhes. O cuidado da escola, criada pelos monges beneditinos, não para aí. Além de orientar e cobrar empenho, o São Bento oferece salários acima da média. Um professor da 1ª a 5ª série, que trabalha 25 horas semanais, ganha por mês R$ 3.800. Os docentes das outras etapas recebem, em média, R$ 4.500. É raro aparecer uma vaga na escola. A média de idade dos professores é de 40 anos. O bom desempenho dos alunos do São Bento - eles têm 90% de aprovação no vestibular em cursos disputados nas universidades públicas - está diretamente ligado à qualidade do quadro docente. "A participação dos professores nesse resultado é enorme. Escola se faz com essa química em sala de aula entre professor e aluno. Não adianta a escola ser toda equipada. O que interessa é essa relação professor/aluno", diz Maria Elisa, que coordena o trabalho de 150 docentes. A lógica é simples: o colégio mantém os professores motivados, que, por sua vez, mantêm os alunos empenhados. O resultado é a média de 80,58, a mais alta do Enem. No Colégio Bandeirantes, em São Paulo, a lógica é a mesma. "Damos condições para que o professor estude, facilitamos os horários, pagamos cursos e os enviamos para congressos nacionais e internacionais", explica o diretor da escola, Mauro Aguiar. Uma das coordenadoras do colégio, Rosemeire da Silva, começou neste ano um mestrado na Espanha. No Móbile, que também aparece entre os melhores nos resultados do Enem, a busca pelo professor mais bem preparado e disposto a estudar começa pela contratação. O processo seletivo do colégio começa com uma prova de conhecimentos, para verificar o domínio da disciplina. "Além disso, o professor precisa saber como trabalhar questões de formação do aluno do ponto de vista social. Avaliamos como ele pensa, como enxerga o papel docente e que relações estabelece com a aprendizagem", explica Antonio de Freitas da Corte, vice-diretor pedagógico do colégio. No Carlitos, na região do Pacaembu, a triagem dos currículos é feita por uma empresa contratada, que separa os que mais se aproximam do perfil idealizado pela instituição. Depois disso, é feita uma prova que avalia a capacidade de escrita, o conhecimento acadêmico e conteúdos pedagógicos específicos. Uma vez por ano, educadores franceses dão formação continuada para os professores. "Temos um programa pedagógico baseado nos parâmetros curriculares nacionais, só que à moda francesa, minucioso e metodológico", afirma a diretora Manuela de Castro Anabuki. Além disso, a equipe tem horas semanais reservadas para discutir, avaliar, ler, estudar e participar de cursos. No Etapa, tanto no cursinho quanto no colégio, o professor também passa por provas de avaliação de conhecimentos e suas aulas são acompanhadas por orientadores e coordenadores. "Quando há algum problema ou dificuldade, os professores são orientados para darem uma aula melhor e se relacionarem de outra maneira com os alunos", diz Edmilson Motta, coordenador-geral do Etapa. Na escola Castanheiras, a formação continuada também está baseada na oferta de cursos, ministrados pelos próprios assessores do colégio. Caso o professor se interesse por algum curso externo, a direção avalia a possibilidade de financiamento. Além disso, uma vez por mês, todos os profissionais da escola - direção, coordenação, professores, monitores, recepcionistas e secretaria - realizam uma reunião para debater problemas e inquietudes.