Equipe diz que órgão estava em perfeitas condições

- O Estado de S.Paulo

Os três médicos acusados de realizar um transplante com um fígado em situação ruim em 2003, o que teria levado à morte da paciente, afirmam que o órgão estava em perfeitas condições para a cirurgia. "Isso não procede. Era um fígado maravilhoso", responde o cirurgião Sérgio Mies, um dos réus. "A paciente morreu muitos meses (seis meses) depois, por causa de uma série de complicações. Não teve nada a ver com qualidade do órgão." O principal problema, segundo a denúncia aceita pela Justiça, era o fato de o fígado ter grande quantidade de gordura. A Central de Transplantes, na época, informou às equipes médicas que o órgão tinha, com base numa análise visual, entre 40% e 50% de gordura. Segundo o cirurgião Paulo Celso Bosco Massarollo, também réu, a equipe do Hospital Albert Einstein foi a única que aceitou ver o fígado. A análise visual dessa equipe diferiu da informada pela equipe do Hospital São Paulo para a Central de Transplantes. Uma biópsia feita logo em seguida, segundo os médicos, confirmou - somente após a operação - que o órgão teria condições de ser transplantado. "Tinha uma quantidade de gordura de cerca de 10%. Até 30% é normal", diz. O terceiro médico que será julgado, Carlos Eduardo Sandoli Baía, afirma que a diferença entre as análises ocorre com freqüência. "Já vivemos várias situações em que, olhando o fígado, temos impressões diferentes em relação à impressão de quem retirou o órgão", diz.