Entrevista: Susan Chien Hsin Fin, neurologista da USP

Agencia Estado - O Estado de S.Paulo

Por que não é possível usar a toxina botulínica para tratar o mal de Parkinson? A toxina botulínica tem a meta de reabilitar o paciente. Por isso, ela é aplicada naquele músculo específico, que está contraído. No caso do Parkinson, a rigidez muscular é global, afeta o corpo todo e é degenerativa. Aplicada em grandes quantidades, a toxina botulínica pode intoxicar o paciente.- Como a toxina é produzida e como ela age? Ela é produzida pela bactéria Clostridium botulinum e tem efeito temporário nos neurônios produtores da acetilcolina, que é o neurotransmissor responsável pela contração dos músculos.- A dose máxima pode variar? O que acontece quando não é respeitada? Sim, de acordo com o peso e a idade do paciente. Se for colocada além desta dose, o músculo pode ficar amolecido.- Existem perigos na utilização terapêutica? Apenas se a substância estiver contaminada e a pessoa que estiver aplicando não for bem treinada. Muitas vezes, quem aplica pode diluir demais a toxina ou então, usar soro contaminado. Em músculos finos, as doses devem ser menores, por exemplo.