Entrevista

Camila Viegas-Lee - O Estado de S.Paulo

Aprovado no MBA em Michigan, Victor Cavalcanti diz que quer aprender a evitar os erros que levaram à crise

Advogado com mestrado em Administração, Victor Cavalcanti, de 29 anos, foi aprovado para alguns MBAs nos EUA. Escolheu o da Universidade de Michigan. Acaba de receber e-mail da universidade informando do acordo com um banco para conceder crédito, sem fiador, a novos alunos estrangeiros. Até semanas atrás, só quem já cursava o MBA estava conseguindo empréstimo. "Ele inclui curso, moradia, livros e até despesas pessoais. Fui aprovado na Universidade da Carolina do Norte, mas o financiamento para estrangeiros só cobre o curso", diz Victor, que começa um pré-MBA em 29 de junho.Como você pretende pagar a dívida do financiamento depois?Já tenho o dinheiro, aplicado em bolsa no Brasil. Depois do MBA, espero encontrar um bom emprego. Dependendo dos juros do empréstimo nos EUA, que hoje estão em 5% ao ano, talvez não valha a pena pagar de uma vez.Você pretende fazer estágio? No meio do ano, temos o summer job, que ajuda a direcionar a carreira depois do MBA. Com a crise, poucas empresas estão garantindo HB1, o visto de permanência de trabalho nos EUA. Quem quer ficar vai para banco e consultoria. Mas até bancos estão cortando o HB1 este ano. Gostaria de passar uns anos aqui. Estou mudando de carreira e o MBA vai consolidar essa mudança.Qual é a dificuldade de conseguir um fiador nos EUA? É impossível. O curso custa US$ 150 mil. Se tivesse um amigo americano que topasse ser meu fiador e eu não pagasse a dívida, ele perderia tudo. Você acredita que, após o curso, a economia já estará melhor? Sim. O melhor a fazer em época de crise é estar numa instituição de ensino para aprender o que foi feito de errado e não cometer os mesmos erros no futuro.