Entidade recua e afirma que carne de porco é segura

Jamil Chade - O Estado de S.Paulo

A Organização Mundial da Saúde (OMS) admitiu ontem que o vírus A (H1N1) poderia sobreviver na carne de porco, mesmo sendo congelada, ou no sangue do animal. Depois de protestos de governos e produtores, a OMS foi obrigada a reconfirmar que não existe risco no consumo da carne suína, com a condição de que ela seja bem preparada e cozida.Acompanhe o noticiário sobre a gripeAté o governo brasileiro reagiu. O Ministério da Agricultura publicou um comunicado tranquilizando a população quanto ao consumo de carne suína. Enquanto isso, produtores americanos iniciaram uma milionária campanha publicitária para tentar mostrar que o consumo da carne é seguro.A polêmica em torno da carne está fazendo com que produtores de todo o mundo se mobilizem para tentar frear uma estigmatização do produto. Ao surgir, o surto logo ganhou o nome de gripe suína, dado pela própria OMS. Nos primeiros dias, a entidade chegou a ridicularizar a tentativa de alguns de promover uma mudança no nome da gripe. "A gripe tem um componente importante de material vindo do porco e não há motivo para não se chamar assim", afirmou há cerca de dez dias o vice-diretor da OMS, Keiji Fukuda. Alguns dias depois, o lobby dos produtores deu resultado e a OMS abandonou o nome. "O vírus está se tornando mais humano", disse então Fukuda. Mesmo assim, os produtores americanos alertam que estão perdendo a cada dia US$ 2,4 milhões em vendas. Mas, nesta semana, nova polêmica foi levantada. Jorgen Schlundt, diretor do Departamento de Alimentos da OMS, admitiu que o consumo de carne de porco contaminada pelo H1N1 não deveria ocorrer. Segundo ele, o vírus é capaz de se preservar quando a carne é congelada e pode também permanecer no sangue do animal. Segundo ele, os atuais controles sanitários sobre as carnes já evitariam que produtos contaminados chegassem ao mercado. Portanto, não haveria motivo para que a carne deixasse de ser consumida. Além disso, em um caso extremo, uma carne preparada já não teria mais o vírus, já que altas temperaturas o matariam.Seus comentários geraram reação energética, principalmente do governo canadense. O Canadá registrou no último fim de semana o primeiro caso conhecido de um homem que transmitiu o vírus a 220 porcos. Mesmo assim, a OMS insiste que não há sinais de que porcos estejam contaminando pessoas. "Pessoas estão contaminando pessoas", afirmou ontem Fukuda.Mas ele mesmo gerou ainda mais confusão ao alertar que qualquer carne contaminada deveria ser evitada. Ontem, a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) declarou que os sistemas de controle sanitários atuais seriam suficientes para detectar a doença nos porcos.