Empresa ajuda escola pública a se aprimorar

Fábio Mazzitelli, SÃO PAULO - O Estado de S.Paulo

Parceria envolve verba e treinamento

Parceria com a iniciativa privada, mais professores efetivos do que temporários e um grupo de gestão há seis anos no cargo. Esses são alguns dos itens que ajudaram o colégio Manuel Ciridião Buarque a se destacar como a escola estadual da capital que mais aprovou alunos na Universidade de São Paulo (USP) em 2009 - foram 19 calouros egressos de suas salas.

Localizada na região da Lapa, zona oeste de São Paulo, a escola fechou acordo, em outubro de 2008, com o banco de investimento Itaú/BBA. A empresa trocou o piso da quadra poliesportiva, fez reparos no sistema hidráulico do prédio, inaugurado em 1965, equipou uma sala exclusivamente para receber alunos para aulas de artes e iniciou, há menos de três meses, uma capacitação do corpo docente.

"De duas em duas semanas, um grupo de professores contratados pela parceira participa da nossa reunião pedagógica. Fazemos sugestões para elaborar aulas diferenciadas e tratamos do projeto pedagógico", conta Regina Helena Russo, coordenadora da escola. "Meus professores já são bastante comprometidos. Essas reuniões servem como uma troca de experiências, dão uma ênfase maior no estudo do professor, na reflexão do trabalho dele", afirma a coordenadora.

Todas as mudanças foram recebidas pela direção da escola como uma espécie de prêmio pelo trabalho que coloca, há alguns anos, o colégio em posição de destaque na rede estadual. Além do destaque na lista de aprovados na USP, a Manuel Ciridião Buarque atingiu 3,11 no Índice de Desenvolvimento da Educação de São Paulo (Idesp) no ensino médio, acima da média do Estado (1,95), e obteve 53,58 pontos no último Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), média que a colocou entre as 50 melhores da rede estadual.

A coordenadora conta que o número de professores efetivos prevalece sobre o total de temporários, o que reduz a rotatividade do corpo docente. Além disso, a direção do colégio é estável - há seis anos não ocorre troca no comando.

"A parceria (com a iniciativa privada) ajuda a amadurecer esse trabalho", acredita a vice-diretora do colégio, Maria José Dutra Cunha.

Nos primeiros oito meses deste ano, foram gastos R$ 180 mil, valor que inclui o pagamento de um professor extra para ficar até 20 horas por semana no colégio. Esse profissional, chamado de "facilitador", é o responsável por adaptar os investimentos privados às necessidades da escola estadual, que tem cerca de 1,3 mil alunos.

A parceria foi fechada por dois anos, renováveis por mais dois, e faz parte do programa desenvolvido pela Associação Parceiros da Educação, que reúne empresas e empresários interessados em investir no ensino público.

Ao todo, a associação mantém 73 parcerias com colégios públicos no Estado, sendo 50 delas com a rede estadual.