Em SP, o forte é identificação de doadores e captação

Karina Toledo - O Estado de S.Paulo

Andrea Soares, de 45 anos, passou por um transplante de fígado há mais de oito anos e até hoje, a cada três meses, vai ao Hospital das Clínicas de São Paulo, onde realizou a cirurgia, para consultas. "Eles checam a função do fígado e de outros órgãos, verificam a dosagem dos remédios contra rejeição e renovam a receita até a próxima consulta", conta.Esse acompanhamento, que no início era feito três vezes por semana, é fundamental para garantir a sobrevida do transplantado após a cirurgia. "As drogas contra rejeição podem causar efeitos colaterais como hipertensão, insuficiência renal, diabete e aumento de peso. É preciso monitorar o paciente e tratá-lo com drogas auxiliares caso desenvolva algum desses problemas", explica a médica Silvia Ferreira, do Laboratório de Insuficiência Cardíaca do Instituto do Coração. Este foi o caso do ex-motorista Benvilson Soares, de 55 anos. Ele recebeu um novo coração há cerca de três anos e esta semana vai passar por uma intervenção para colocar um balão no estômago. "O coração que eu recebi era para uma pessoa de até 80 kg. Antes de ficar doente eu pesava 78 kg. Na época da operação fiquei com 58 kg, mas hoje, por causa dos remédios, cheguei a 104 kg e estou com hipertensão."Apesar dos problemas e do fato de ter de tomar quase 40 comprimidos todos os dias, Soares ressalta que sua qualidade de vida melhorou muito após a cirurgia. "Antes eu mal conseguia andar ou me vestir sozinho. Depois que recebi o novo coração me sinto ótimo, posso fazer de tudo, parece que já nasci com ele."Embora o acompanhamento de transplantados seja realidade no Estado, ainda não existe diagnóstico detalhado sobre o que acontece com essas pessoas após a cirurgia. Já na fase de captação de órgãos, os números paulistas têm avançado. Isso possibilitou ao Estado registrar, em 2008, recorde de transplantes: 1.485 cirurgias, sem contar as de córnea, que passam de 6 mil. Ainda no ano passado, segundo balanço da Secretaria da Saúde, a região de Ribeirão Preto atingiu o índice de 26,3 doadores por milhão - mais que o padrão norte-americano, que é de 25.