Em coma, jovem deve ter aparelho desligado na Itália

AP, AFP e Efe - O Estado de S.Paulo

Por desejo de seu pai, Eluana foi transferida para clínica que aceita retirar cateter que a mantém viva

A italiana Eluana Englaro, em coma desde janeiro de 1992, quando, aos 20 anos, sofreu um acidente de automóvel, foi levada ontem de uma clínica em Lecco a um hospital em Udine, no qual poderá ser cumprido o desejo de seu pai de retirar o cateter que a alimenta e hidrata, deixando-a morrer. O pai de Eluana, Giuseppe Englaro, diz que a filha não desejaria ser mantida viva artificialmente. O caso gerou um debate nacional a respeito da eutanásia e protestos e mobilizações de organizações católicas. Ontem, um pequeno grupo de ativistas opostos à eutanásia tentaram impedir a saída da ambulância que levou a mulher de Lecco para Udine. Alguns manifestantes gritaram "Eluana, acorde".Em novembro do ano passado, após cerca de dez anos de litígio, um tribunal italiano aceitou a petição do pai de Eluana para interromper a alimentação da filha, o que provocou a comoção no país, majoritariamente católico. Na época, o pai de Eluana tentou levá-la para Udine, mas o governo italiano decretou que os hospitais estatais devem manter vivas as pessoas em estado vegetativo, impedindo que a sentença fosse cumprida. Um sanatório da cidade chegou a se negar a receber Eluana. Ontem, ela finalmente foi levada a um hospital privado, chamado La Quiete, que no mês passado anunciou que estava disposto a recebê-la, contrariando as pressões governamentais e religiosas. Segundo os médicos da instituição, Eluana deverá ter o tubo de alimentação retirado em cerca de três dias; a partir de então, ela demoraria cerca de 15 dias para morrer. O presidente da sociedade médica interdisciplinar Prometeo Galileo, Luca Puccetti, afirmou que antes uma ressonância magnética deveria ser realizada para determinar se ela sofreria com a interrupção da alimentação.O ministro da Saúde da Itália, Maurizio Sacconi, informou que o governo analisa a situação, já que a eutanásia é proibida no país. Lá, os pacientes têm o direito de se negar a receber tratamento, mas nenhuma lei permite que seja solicitado com antecedência qual tratamento gostariam de ter caso fiquem inconscientes.?FALSA SOLUÇÃO? O caso suscitou uma reação enérgica do Vaticano. O papa Bento XVI afirmou, no fim de semana passado, que a eutanásia é uma "falsa solução para o drama do sofrimento", um ato "indigno de um homem" e uma prática "inaceitável".O cardeal mexicano Javier Lozano Barragán, ministro da Saúde do Vaticano, afirmou, em entrevista ao jornal La Repubblica, que retirar o tubo de alimentação de Eluana "equivale a um assassinato abominável, e a Igreja não cessará de denunciá-lo aos gritos". Barragán também afirmou que "a Igreja defende a vida e sua posição não muda com uma decisão judicial".