Em Araraquara, soldado combate o ''Aedes aegypti''

Emilio Sant?Anna, ARARAQUARA (SP) - O Estado de S.Paulo

Batalhão do Tiro de Guerra foi mobilizado para procurar criadouros

Todo o contingente do Tiro de Guerra, em Araraquara (273 quilômetros a noroeste de São Paulo) foi mobilizado nesse final de semana para combater o Aedes aegypti, transmissor da dengue. A cidade registrou 622 casos da doença este ano e enfrenta uma situação de epidemia. No sábado, cerca de cem soldados percorreram os bairros da zona norte da cidade à procura de focos do mosquito e possíveis criadouros. Na Chácara Flora, local afastado do centro da cidade, os soldados do exército encontraram dezenas de criadouros. O bairro não tem ruas asfaltadas e as casas são, em sua maioria, pequenas chácaras que passam a maior parte do tempo fechadas. Foram encontradas larvas do mosquito em piscinas, caixas d?água destampadas e poços abandonados. Em uma chácara, aparentemente abandonada, os soldados localizaram mais de dez criadouros. Dentro da casa, os cômodos haviam sido usados para a criação de galinhas. Da criação, restaram apenas a sujeira e recipientes com água contaminada. Os moradores encontrados foram alertados sobre os procedimentos para impedir a proliferação. "Como muitas das casas estavam fechadas não conseguimos atingir o objetivo inicial que era fazer o bloqueio em 100% das casas", disse o fiscal da Vigilância Epidemiológica, Luis Eduardo Tagliacozzo. Nesta semana, os soldados do Tiro de Guerra devem voltar à região para finalizar o trabalho de bloqueio aos criadouros. "Essa é uma região com muitas chácaras fechadas que apresentam as condições ideais para a proliferação do mosquito da dengue", avaliou o sargento Carlos Moura, coordenador da operação.Na mesma região da Chácara Flora, o bairro Santa Angelina lidera as notificações de dengue na cidade. Até agora 54 casos foram registrados no local.CULPA DE UMA MINORIAA doença, no entanto, não atinge apenas os bairros mais afastados. No centro da cidade, 53 casos já foram confirmados. No mapa das notificações afixado em uma das paredes da sede da Vigilância Epidemiológica, a distribuição dos casos é homogênea. No Pronto-Socorro Municipal, a procura por atendimento aumentou cerca de 20% com a eclosão da epidemia.Segundo a secretária Municipal da Saúde, Lúcia Ortiz de Lima, foi feita prevenção durante todo o ano passado. Ela afirma que 70% dos moradores de Araraquara estão cobertos hoje pelo Programa Saúde da Família (PSF), mas o descuido de uma parcela pequena da população causou o crescimento rápido dos casos. "A doença se espalhou em uma semana por cinco regiões da cidade", admite.Hoje, professores do câmpus Araraquara da Universidade Estadual Paulista (Unesp) reúnem-se para avaliar os riscos da epidemia à comunidade acadêmica. A paralisação das aulas não está descartada.