Em apoio a funcionários, alunos e professores param hoje

Simone Iwasso - O Estado de S.Paulo

Ato está marcado para as 10 horas; à tarde, protesto deve ocorrer em frente à Fuvest

Alunos e professores da Universidade de São Paulo (USP) marcaram para hoje uma paralisação geral em apoio à greve dos funcionários liderada pelo Sintusp e em defesa da pauta de reivindicações do Fórum das Seis, entidade que reúne representantes dos sindicatos das três universidades estaduais paulistas: USP, Unesp e Unicamp. Um ato está marcado para começar as 10 horas em frente ao prédio da reitoria. O mês de maio é sempre complicado nas instituições, por ser o período de campanha salarial dos sindicatos, que se misturam a outras reivindicações. Durante a tarde, o grupo também pretende fazer um protesto em frente à Fuvest, responsável pelo vestibular da USP, por causa das alterações promovidas no exame, feitas sem discussão com a comunidade escolar, segundo os sindicatos. Outro problema está no curso a distância criado este ano com foco na formação de professores da rede pública, também alvo de críticas. Em assembleia no fim do dia deverá ser votada uma possível paralisação de estudantes. Na semana passada, também em assembleia, eles votaram indicativo de greve. Nota divulgada pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP dizia que "somente com a unidade do movimento estudantil, do movimento de docentes e do movimento dos trabalhadores conseguiremos barrar esses ataques aos movimentos políticos, defender a qualidade do ensino na universidade e fazer com que a USP esteja voltada aos interesses de toda população". A invasão da reitoria na segunda-feira por estudantes das três instituições e o piquete dos funcionários em frente do prédio nos dias seguintes dividiu a comunidade escolar na USP. Nas unidades, parte dos alunos é contra e parte é a favor do protesto. Na internet, blogs seguem debatendo a atitude dos estudantes - alguns condenam a reitoria e outros criticam o movimento sindical e estudantil. Em 2007, motivados por decretos assinados pelo governador José Serra (PSDB), que criava, entre outras medidas, a Secretaria de Ensino Superior, alunos invadiram e permaneceram por 50 dias na reitoria da USP. O movimento acabou dias após o governador assinar um decreto declaratório, esclarecendo que as medidas administrativas não prejudicam a autonomia universitária. Foi a maior crise da gestão da reitora Suely Vilela, bastante criticada na época. Desde então, em qualquer rodada de negociação na universidade a ameaça de uma nova invasão aparece.