Em 27 anos, Alagoas não sai da lanterna

Wilson Tosta e Clarissa Thomé - O Estado de S.Paulo

Melhoria de indicadores não foi suficiente para superar outros Estados

Em 1980, segundo a Tábua de Mortalidade do IBGE, Alagoas era o Estado brasileiro com mais baixa esperança de vida ao nascer (55,69 anos) e maior taxa de mortalidade infantil (111,6 por mil nascidos vivos) do Brasil. Desde então, o País saiu da ditadura para a democracia, viveu cinco eleições presidenciais diretas - inclusive de um político com base política no Estado, o hoje senador licenciado Fernando Collor (PTB-AL) -, enfrentou crises econômicas, domou a inflação. Mas os alagoanos, embora tenham melhorado seus indicadores sociais, continuaram em último lugar entre os Estados nesses itens. Em 2006, a expectativa de vida ao nascer no Estado subira 19,2%, indo para 66,36 anos (um aumento melhor que o da média do Brasil, de 15,7%) e a mortalidade caíra 53,5%, para 51,9 por mil nascidos vivos.MODELO DE DESENVOLVIMENTOPara o cientista político Alberto Saldanha, professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), o maior problema do Estado está no modelo de desenvolvimento econômico predominante no Estado desde a colônia, baseado na exploração da cana-de-açúcar. "Quase não há diversificação da economia - 96% da pauta de exportação se baseia na cana. E o setor sucroalcooleiro emprega durante seis meses e desemprega no restante do ano. A classe média alagoana é composta de 60 mil funcionários públicos", afirma. Saldanha lembra que a distribuição de renda se dá por políticas federais, como Previdência Social e programas como Bolsa-Família. Segundo o cientista político, também explica a dificuldade de investimento do Estado em políticas públicas o acordo estabelecido pelo então governador Fernando Collor, em 1988, que permitia a devolução do ICMS cobrado sobre a cana aos usineiros. "Esse acordo só acabou agora, no fim do governo Ronaldo Lessa (PDT). As conseqüências foram enormes", afirmou.