Em 2005, mulher que usava Contracep engravidou

Emilio Sant?Anna - O Estado de S.Paulo

Já são 3 os casos em que o medicamento da EMS Sigma apresentou falha

O primeiro caso de gravidez causada pela falha do anticoncepcional injetável Contracep aconteceu na verdade há quase três anos. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em 2005 o órgão já havia recebido uma notificação de falha do medicamento da EMS-Sigma Pharma. Nesta semana, a Secretaria de Saúde de Ribeirão Preto, no interior do Estado, confirmou a gravidez da babá Isabel de Lima Rodrigues, de 19 anos. Ambas usaram o anticoncepcional, suspenso pela Anvisa desde o dia 12 deste mês. Um dia depois da interdição, a Anvisa registrou um outro caso. A agência ainda não recebeu a notificação do caso de Isabel. Os nomes das outras duas mulheres não foram divulgados. Anvisa e a Coordenação de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo analisam o medicamento. De acordo com a agência, "os dados colhidos até o momento (17 dias de investigação) não são conclusivos para que sejam tomadas outras providências sanitárias cabíveis (como a prorrogação ou não da interdição do comércio e uso do anticoncepcional)". Anteontem, no entanto, o órgão estadual informou que a inspeção realizada na fábrica da EMS entre os dias 12 e 23 deste mês constatou que a fórmula do produto foi alterada sem autorização do governo federal. Outras falhas apontadas foram o deficiente controle de qualidade da medicação; problemas com a embalagem e dosagem de hormônio nas ampolas próxima ao limite mínimo. Ontem, em São Paulo, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, classificou o caso como fraude. Já o governador José Serra defendeu a punição do fabricante. " O laboratório deve uma indenização substancial porque causou dano a essas mulheres. Tem de ser punido com muito rigor", disse. Em nota, a EMS-Sigma Pharma afirma que sempre agiu de acordo com a legislação, além de discordar do laudo emitido pelo Instituto Adolfo Lutz - que motivou a interdição. Ainda de acordo com a nota, a empresa obteve uma liminar na Justiça estadual que obriga a Anvisa a realizar novos testes. PROCESSO Após tomar o Contracep, em junho e setembro (o medicamento tem efeito por dois meses), Isabel de Lima Rodrigues afirma ter certeza de que o medicamento falhou. Grávida de dois meses e com uma renda de R$ 300 mensais, a babá pretende processar o laboratório. Ela afirma que o único medicamento que tomou desde junho, por três dias, foi um analgésico e antiinflamatório à base de diclofenaco, devido a um sangramento vaginal. O ginecologista Rui Ferriani, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), diz que é pouco provável que o diclofenaco tenha interferido na eficácia do anticoncepcional. COLABORARAM BRÁS HENRIQUE E PAULO DARCIE