Egito quer royalties das pirâmides

Rory McCarthy, The Guardian, JERUSALÉM - O Estado de S.Paulo

Projeto de lei só admite réplicas não idênticas

O Egito planeja aprovar uma lei para a cobrança de royalties de quem fizer cópias de monumentos antigos ou peças de museu do país - incluindo as pirâmides. Zahi Hawass, diretor do Conselho Supremo de Antiguidades disse que o país quer o copyright de monumentos históricos para usar o dinheiro arrecadado na manutenção deles.Hawass diz que a lei foi acordada por uma comissão ministerial e será apresentada ao Parlamento, onde se espera aprovação fácil. Ela se aplicaria em qualquer lugar do mundo, mas não está claro como o Cairo lidaria com eventuais violações de direitos autorais.A lei se aplicaria a cópias precisas em escala natural de qualquer objeto de museu ou o "uso comercial" de monumentos antigos, incluindo as pirâmides ou a esfinge. "Mesmo se forem para uso privado, elas precisam ter permissão do governo egípcio", disse à BBC.Seus comentários surgiram depois que um jornal de oposição egípcio, Al-Wafd, publicou uma reportagem reclamando que muito mais turistas viajavam para o hotel Luxor, em forma de pirâmide, em Las Vegas, do que para a própria cidade de Luxor, no Egito. O jornal propôs que o hotel pagasse parte dos lucros à cidade.O hotel e cassino tem seu próprio Museu Rei Tut, com "reproduções autênticas do que vem sendo chamado de as maiores descobertas arqueológicas da história do mundo". Entre os objetos, estão reproduções do sarcófago do rei Tutancâmon e várias estátuas e peças do túmulo do rei, descoberto em 1922.Segundo Hawass, a lei não impediria artistas de desenharem imagens dos monumentos e sítios históricos, desde que não fossem cópias exatas deles.