Economia aquecida fez crescer o desmate

Wilson Tosta e Felipe Werneck - O Estado de S.Paulo

Entre 2003 e 2006, área devastada na Amazônia aumentou quase 10%

Em apenas quatro anos, no primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva - de 2003 a 2006 -, a área desmatada da Amazônia Legal cresceu 9,92%, segundo cálculos baseados em números do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) citados na pesquisa Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (IDS), passando de 652.248 km2 para 716.994 km2. Na segunda metade do período, houve queda no ritmo de destruição da mata, de 27.429 km2 em 2004 para 18.759 km2 em 2005 e 14.039 km2 em 2006. Mas, no ano passado, o crescimento da economia teve como efeito colateral o recrudescimento do ritmo da destruição da floresta. Em uma série mais longa, de 1991 a 2006, o aumento da área devastada foi de 68,15%. "A área total desflorestada se aproxima dos 20% da área florestal original da Amazônia (...) A velocidade com que o processo de desmatamento ocorre ainda é muito alta", diz a pesquisa. O Estado que mais aumentou proporcionalmente a sua área de mata destruída foi o Amapá. Os 4.136 km2 de desmatamento em 2006 significaram alta de 143% na comparação com o ano inicial da série (1991, com 1.700 km2).O segundo Estado em aumento proporcional de área desmatada foi Roraima: 132% de 1991 a 2006 (4.200 para 9.760 km2). Considerado a grande locomotiva do desmatamento amazônico, Mato Grosso fica em terceiro lugar em crescimento proporcional de desmatamento. De 1991 a 2006, o avanço foi de 86.500 para 190.951 km2, ou seja, 121%. O Estado que menos destruiu a floresta amazônica foi o Maranhão: de 1991 a 2006, a área desmatada avançou 18%. Do total da área já desmatada em 2006, 33% ficam no Pará, Estado com maior pedaço da região desflorestada. Mato Grosso é o segundo nessa conta: tem 27% do território desmatado.