É possível controlar a malária com medidas simples, diz estudo

REUTERS - O Estado de S.Paulo

Após 40 anos, britânicos e quenianos atualizam mapa global da doença

A malária mata uma criança a cada 30 segundos no mundo, mas a chance de uma pessoa se infectar, mesmo em áreas endêmicas, é menor do que se imaginava e pode cair dramaticamente com medidas profiláticas conhecidas, afirma um grupo de pesquisadores do Quênia e da Grã-Bretanha na revista científica eletrônica PLoS Medicine (medicine.plosjournals.org).Eles atualizaram o mapa global da malária, o que não era feito há 40 anos. A doença ameaça 2,37 bilhões de pessoas, cerca de um terço da população mundial, que dividem o ambiente com o mosquito transmissor Anopheles. Metade delas teria menos de 0,01% de chance de ser infectado em um ano.Segundo o cientista Simon Hay, da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha), um dos autores do estudo, a análise indica que o risco diminuiu em algumas regiões da América Latina e da Ásia - e mesmo parte da África, continente mais atingido pela malária -, algo que o próprio Hay classifica como "bastante surpreendente". Eles focaram o trabalho no tipo mais perigoso de plasmódio que causa a doença, o Plasmodium falciparum. "A situação não é tão terrível em grandes partes do planeta quanto as pessoas imaginavam e, com algum esforço, podemos fazer a diferença com ferramentas que já existem", diz o cientista.CAMINHOSUma das estratégias mais eficazes, diz ele, é universalizar o uso de mosquiteiros tratados com inseticidas. Isso seria o suficiente para reduzir o risco de infecção em quase 1 bilhão de pessoas. "Se os mosquitos não têm a chance de picar a pessoa, o ciclo de transmissão é interrompido e desaparece. Em áreas com taxas já bastante baixas de infecção, basta forçar um pouco e a doença some." O grupo também afirma que o investimento em campanhas de controle deve ser feito com base na distribuição geográfica da doença, não em países. A equipe defende que eliminar a malária em pontos marginais daria força para campanhas em regiões mais problemáticas, especialmente a África Subsaariana, a mais atingida pela doença no mundo, onde a maior parte das mortes registradas anualmente ocorre. Na África, a prevalência do P. falciparum é de mais de 50%. Os outros três tipos - P. ovale, P. malariae e P. vivax (que causa 80% dos casos registrados no Brasil) - são menos letais.Hay trabalhou com pesquisadores do Instituto de Pesquisa Médica do Quênia. Eles foram financiados pelo Wellcome Trust, instituição filantrópica britânica de apoio a pesquisas. O trabalho é baseado na análise de estatísticas nacionais de registro de casos, relatórios médicos de inteligência, análise de variações climáticas, aconselhamento para turistas e pesquisas realizadas com milhares de comunidades em 87 países. O mapa pode ser visualizado em www.map.ox.ac.uk.