Dois bebês seguem em estado grave

Tatiana Fávaro, CAMPINAS - O Estado de S.Paulo

Partos normais e de alto risco no Hospital da Mulher da Unicamp foram suspensos após surto de vírus em UTI

Dois bebês estavam ontem em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal do Hospital da Mulher da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Os responsáveis pelo hospital detectaram esta semana um surto do Vírus Sincicial Respiratório (VSR) na unidade. Um bebê de aproximadamente 2 meses morreu. Outros 14 recém-nascidos, incluindo os dois em estado grave, estão isolados. Anteontem, o hospital informou que, por precaução, interrompeu os partos normais e de alto risco e que as visitas à UTI Neonatal estão restritas aos pais dos recém-nascidos. A unidade realiza aproximadamente 300 partos por mês. Desde o dia 21, quando foi diagnosticado o terceiro caso de contaminação pelo VSR e identificado o surto, estão suspensas as internações de bebês na unidade, que tem 30 leitos. Segundo informou a diretora associada do Hospital da Mulher, Ângela Maria Bacha, 26 crianças internadas recebem o mesmo tratamento, divididas em áreas isoladas - uma para os 14 recém-nascidos contaminados e outra para os 12 bebês não contaminados, atendidos por equipes diferentes. O vírus teria chegado à UTI Neonatal por meio de uma criança reinternada e de uma outra dentro da unidade que, provavelmente, teve contato com o vírus por meio de parentes. A disseminação do VSR se dá no ambiente. As 26 crianças estão recebendo tratamento com anticorpo monoclonal específico para esse tipo de vírus. SINTOMAS O VSR é considerado um vírus sazonal, relativamente comum e mais característico no inverno. De acordo com a diretora, o quadro de sintomas se assemelha ao de uma gripe. O vírus acomete adultos e crianças, mas pode levar à morte em casos de pacientes frágeis. Dos dois bebês que permanecem em estado grave, um apresenta quadro pulmonar comprometido e o outro, prematuridade extrema. Ângela explicou que o bebê que morreu dia 24 apresentava quadro clínico grave, com risco de morte, pois a criança tinha alterações cromossômicas, cardiopatia congênita, defeito de fechamento da parede abdominal e alterações neurológicas. Ao considerar a inexistência de casos anteriores na unidade e o risco de infecções relacionadas ao VSR, a diretoria executiva do hospital, orientada pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar e pelas secretarias estadual e municipal da Saúde, decidiu manter o atendimento às gestantes nos ambulatórios de pré-natal e as internações de gestantes que não apresentem risco de parto, mas precisem de atendimento clínico. O Hospital da Mulher informou ainda que crianças que nasceram na unidade e tiveram alta nos últimos dias não correm risco de ter contraído o vírus durante a internação. Um comitê de controle interno formado pela diretoria executiva, Divisão de Obstetrícia, de Neonatologia e Comissão de Controle de Infecção Hospitalar vai monitorar os casos. As autoridades sanitárias foram notificadas. Segundo a Unicamp, se em no mínimo dez dias a unidade não registrar novo caso, os serviços passarão a funcionar normalmente, já que o vírus fica incubado de dois a dez dias. SITUAÇÃO 14 recém-nascidos estão isolados por causa da infecção por vírus na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal do Hospital da Mulher da Unicamp 2 bebês desse grupo estão em estado grave 10 dias é o prazo de incubação do vírus