Doenças infecciosas e parasitárias matam 44,3 mil pacientes em 1 ano

Emilio Sant?Anna - O Estado de S.Paulo

Elas foram a 3.ª causa de óbitos em hospitais em 2008, ficando atrás de problemas do coração e respiratórios

Cerca de 44,3 mil pacientes internados em todo o País morreram no ano passado em decorrência de doenças infecciosas e parasitárias. Com um aumento de 5% em relação ao ano anterior, elas foram a terceira causa de óbitos nos hospitais brasileiros, atrás apenas das doenças dos aparelhos circulatório e respiratório. Os dados do Sistema Único de Saúde (SUS), tabulados pelo Estado, revelam que enfermidades como hepatite e infecção generalizada (septicemia) ainda continuam sendo apontadas entre as causas de morte ou ajudaram a aumentar a letalidade de doenças oportunistas decorrentes de problemas, como a baixa imunidade.Em comparação aos índices do século passado - quando as enfermidades causadas por parasitas e infecções respondiam por até 50% das mortes -, a evolução é clara. Isso porque, no total da população, esse grupo de doenças é hoje responsável por 5% dos casos letais, ocupando a sétima causa de óbitos, segundo os Cadernos de Informação em Saúde, atualizado pelo Ministério da Saúde em fevereiro.A situação muda em relação aos indicadores de morte após tratamento hospitalar. Nesse caso, os números de óbitos causados por doenças infecciosas e parasitárias crescem (mais informações nesta pág.). "As doenças endêmicas tiveram uma queda drástica nos últimos anos. Por outro lado, com o envelhecimento da população e a consequente queda da imunidade, as infecções se tornaram mais prevalentes", diz o infectologista Marcos Boulos, diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.A septicemia, por exemplo, mata, em média, 20 mil brasileiros ao ano e, nesse grupo de doença, é a principal causa de morte. Pacientes que se tratam de câncer, aids ou que passam por transplante fazem parte da população mais exposta ao risco, afirma Boulos.Para o ministério, a análise das mortes após internações não reflete a realidade epidemiológica brasileira. A base de dados estaria sujeita a revisões principalmente por um motivo - "por trás da septicemia estão outras doenças que precisam ser consideradas", diz o diretor do departamento de análise de situação de saúde do ministério, Otaliba Libânio. Em 2008, a pasta distribuiu cartilha para médicos filiados ao Conselho Federal de Medicina com instruções sobre o preenchimento correto da certidão de óbito. "O problema é que o preenchimento errado gera informação incompleta", diz Libânio.Apesar de o ministério discordar da classificação das mortes após internações, a comparação entre esse dado e o número de mortes gerais revela a proximidade dos valores. Em 2006, último ano com dados gerais consolidados, 46,5 mil pessoas morreram em decorrência de doenças infecciosas e parasitárias. Na análise dos óbitos pelo mesmo motivo após internações foram 41 mil casos.A população infantil faz parte de um dos grupos mais expostos às doenças infecciosas e parasitárias. No ano passado, 2.757 crianças menores de 1 ano morreram por esse motivo no Brasil. As causas chamam atenção: além de 1,6 mil mortes por septicemia e 212 foram por diarreia. Libânio explica que a principal causa para septicemia em menores de 1 ano é o nascimento prematuro e reconhece que a diarreia aguda é importante. Além disso, hospitais públicos e conveniados ao SUS registraram 975,7 mil internações por causa dessas doenças. Apenas diarreias e doenças infecciosas intestinais somadas geraram quase 500 mil internações. O custo do total desses atendimentos foi de R$ 543,8 milhões no ano passado.