Docente da Unesp é acusado de racismo

Chico Siqueira - O Estado de S.Paulo

A diretoria da Faculdade de Engenharia de Bauru (FEB), da Universidade Estadual Paulista (Unesp), abriu processo administrativo para investigar denúncia de racismo em sala de aula, que teria sido cometido por um professor contra um aluno angolano. O estudante frequenta o 2º ano do curso de Engenharia Mecânica por meio de um intercâmbio entre a universidade e o governo de Angola. O fato ocorreu na quarta-feira, quando o professor teria destratado o aluno, que chegara atrasado para a aula. Testemunhas relataram que o aluno teve a porta batida na cara pelo professor, que ainda teria dito em voz alta que o rapaz, chamado de "negão", deveria voltar para seu país de origem. "Esse negão deveria voltar para o país dele", teria dito o professor. O docente teria destratado outro aluno, um brasileiro, branco, que chegara atrasado com o angolano.PROCEDIMENTOA denúncia foi enviada à direção da FEB pelos dois estudantes na quinta-feira e ontem o diretor da faculdade, Alcides Padilha, nomeou uma comissão para apurar o caso. Padilha não quis divulgar os nomes dos alunos e do professor. "Não posso fazer isso para não prejudicar ninguém", disse. De acordo com Padilha, foram nomeados três professores de outros câmpus da Unesp e um assessor jurídico da universidade para compor a comissão que julgará a atitude do docente. "A comissão vai apurar o que aconteceu, ouvir envolvidos e testemunhas e julgar o caso. O professor pode ser absolvido, pode sofrer advertência, ser suspenso ou até mesmo expulso da faculdade", explicou.No entanto, o diretor disse acreditar que haverá acordo entre as partes. "Em 38 anos de faculdade nunca vi um caso em que as partes não chegaram a um acordo. O curso de Engenharia é muito duro e os atritos entre professores e alunos são normais. Mas posso garantir que, se não houver acordo, vamos dar garantia para que os alunos não sejam perseguidos pelo professor, caso ele continue lhes dando aula", comentou. Padilha disse que em 30 dias a comissão deverá dar parecer sobre o assunto. Segundo ele, oito estudantes angolanos estudam na faculdade "e todos são alunos educados".