Dobra número de focos de queimadas no Pantanal

João Naves de Oliveira, CAMPO GRANDE - O Estado de S.Paulo

Área do bioma em MS tem 107 pontos de incêndio na 1ª semana de maio; foram 46 no mesmo mês de 2008

Imensas manchas negras formadas pelas queimadas estão mesclando a vegetação do Pantanal de Mato Grosso do Sul. Segundo Márcio Yule, coordenador do Prevfogo do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), este mês foram constatados 107 focos contra apenas 46 do mesmo mês do ano passado. Desde janeiro último ocorreram 681 queimadas na região.Ele explica que a estiagem, prevista a partir de julho, começou em março, quando choveu 40% abaixo da média histórica. Abril acabou sendo o mais seco dos últimos 30 anos em toda a região pantaneira do Estado. A situação está exigindo a antecipação da proibição das queimadas controladas e autorizadas pelo órgão, porque está se tornando insustentável.Em Corumbá, a "capital do Pantanal", a fumaça ofusca o brilho do sol e chega a prejudicar o tráfego aéreo no município, impedindo pouso e decolagem no Aeroporto Internacional. Na área rural do município os fazendeiros reclamam das grandes fogueiras que estão destruindo o verde, ninhos de aves e filhotes de animais nativos, além de ameaçar o rebanho bovino.Quarta-feira pela manhã, o presidente do Sindicato Rural de Corumbá, Manoel Martins, fez um voo de pouco mais de uma hora sobre a zona rural do Pantanal e contou, do alto, 30 incêndios de grandes proporções, atingindo principalmente as laterais de cordilheiras de mato, beira de baías, vazantes e lagoas. "O cenário é realmente desolador, triste demais."O sindicato e o Ministério Público Estadual enviaram ofício ao Ibama, solicitando providência para amenizar o problema. No documento, é destacado que os focos de fogo são provocados por raios secos, ocorrência comum no Pantanal, mas a maioria ocorre pela ação humana."Estamos dispostos a colaborar com as autoridades na identificação desses incendiários. Não são os pecuaristas que colocam fogo no Pantanal", afirmou Martins.EFEITO PROLONGADOAlém da destruição da vegetação nativa e da fauna, as queimadas colaboram para a ocorrência da chamada "dequada": depois das queimadas chega o período das chuvas, formando enxurradas que levam as cinzas até os rios pantaneiros. Depositadas sob as águas, reduzem o oxigênio e a consequência é a mortandade de peixes em grandes quantidades nos rios mais piscosos da região.Na área urbana, a situação não é diferente em todos os municípios da bacia hidrográfica do Alto Paraguai. O mato dos terrenos baldios está queimado.