Diretor é demitido após a morte de 22 bebês

Carlos Mendes, BELÉM - O Estado de S.Paulo

Governadora Ana Júlia Carepa determinou, no sábado, a interdição da Santa Casa do Pará

A morte de 22 bebês em menos de uma semana na UTI neonatal da Santa Casa de Misericórdia do Pará - dois gêmeos morreram na madrugada de ontem - levou a governadora Ana Júlia Carepa a determinar no sábado a intervenção do hospital e a demissão do diretor, Anselmo Bentes. A nova dirigente, Maria Silvia Comaru, assume hoje o cargo, com a missão de tomar providências imediatas para resolver graves problemas, como ampliação de leitos para gestantes e berçários de recém-nascidos, além da ampliação do quadro médico. Bentes informou não ter sido demitido e sim que teria pedido demissão por não encontrar mais clima para permanecer no hospital diante dos últimos acontecimentos. Silvia Comaru adiantou que o número de leitos na UTI neonatal será ampliado, passando de 22 para 42. Ela disse que serão contratados dez leitos na Maternidade do Povo e mais dez na clínica Mamarray, dois hospitais particulares de Belém. Uma comissão de médicos irá aos dois hospitais avaliar as condições do local para que as novas UTIs comecem a funcionar ainda nesta semana. A secretária estadual de Saúde, Laura Rossetti, adiantou que o grupo de interventores, constituído por especialistas em saúde, médicos e engenheiros, fará um levantamento da mortalidade perinatal em todo o Pará. Rosseti determinou que, até o próximo dia 5, esse trabalho esteja concluído. "Precisamos humanizar a relação com as mães que perderam seus bebês. Sou mãe, assim como muitas médicas que trabalham na Santa Casa e me coloco na situação daquelas mulheres. Nosso compromisso é salvar vidas", acrescentou Rosseti. A mãe dos bebês gêmeos de oito meses que morreram ontem na Santa Casa, Micheli Diniz Progênio, de 18 anos, residente no município de Muaná, no arquipélago do Marajó, contou que começou a sentir fortes dores na segunda-feira, quando foi internada no hospital. O médico que a atendeu em Muaná recomendou que ela fosse submetida a cirurgia. Ela ficou até quinta-feira, mas foi liberada pelo médico da Santa Casa, que não teria visto necessidade de sua permanência no hospital. As dores voltaram ainda mais fortes e Micheli retornou à Santa Casa. Dessa vez, a cirurgia foi realizada, mas os bebês já estavam mortos em seu útero.