Deu branco! E agora?

Celso Lopes de Souza * - O Estado de S.Paulo

O enfrentamento dos vestibulares mais concorridos do País talvez seja o primeiro grande desafio profissional dos jovens. E um candidato que não apresentar grau de excelência no conhecimento do conteúdo programático e não souber administrar a ansiedade no momento da prova terá sérias dificuldades para obter êxito.Meu foco é o equilíbrio psicológico. Por que tanta gente, incluindo candidatos bem preparados, "derrapa" na hora da prova? Muitos ficam nervosos e não conseguem reverter em pontos o que sabem - têm brancos e sensações físicas como taquicardia, suor e tremores.Inicio a reflexão sobre isso com um pensamento de Epitectus, 70 a.C.: "Os homens são perturbados não pelas coisas em si, mas pelo que pensam sobre elas." São os pensamentos que contam. Sempre que você experimenta um estado de ansiedade intensa, há pensamentos que definem e fortalecem esse estado. Mas como isso pode ocorrer durante a prova? Observe: batimento cardíaco um pouco aumentado (Reação física). "Estou ficando nervoso" (Pensamento). Respiração superficial e aceleração dos batimentos cardíacos (Reação física). "Não estou me lembrando de nada, não vou conseguir" (Pensamento). Respiração mais superficial e menos oxigênio para o cérebro (Reação física). "Eu sabia que ia ficar nervoso, me deu branco!" (Pensamento).Foi uma seqüência de pensamentos que intensificou as reações físicas e culminou no "branco". Como impedir que isso ocorra? Verifique a veracidade dos pensamentos. Veja: batimento cardíaco um pouco aumentado é reação física. "Estou ficando nervoso", pensamento. "Mas é perfeitamente comum ficar nervoso no início de uma prova. Tenho certeza de que quem está levando essa prova a sério também está nervoso" é um pensamento compensador. Ou: "Não estou lembrando nada", pensamento. "É impossível lembrar de tudo. Não lembrar de alguns assuntos não quer dizer que eu não vá conseguir", outro pensamento compensador. Ou seja, estar vigilante aos pensamentos e considerar o maior número de ângulos possível para resolver um determinado problema pode levar a pessoa a novos desfechos. É importante ter em mente que, se, para ter paz, você precisa da certeza de que irá passar, você nunca terá paz. Essa certeza é impossível. Se, para ter paz, é preciso lembrar-se de tudo, você jamais terá paz. É impossível lembrar de tudo. Se, para ter paz, é necessário dar tudo certo no dia da prova, você não terá paz. É perfeitamente possível que algo dê errado sem que isso o prejudique a ponto de impedir a conquista da vaga. A identificação e a modificação dos pensamentos são um ponto central para reduzir a ansiedade.Pô-los em prática exige treino. Os simulados estão aí para isso. Treine bastante! *Celso Lopes de Souza é médico psiquiatra e membro do Programa de Orientação Psicológica do Anglo