De Brasília é impossível preservar floresta, diz Lula

Ricardo Brandt, BELÉM - O Estado de S.Paulo

Segundo presidente, a Amazônia permite que o Brasil fique de ?cabeça erguida? diante de EUA e Europa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que ficou feliz com os números apresentados sobre a redução do desmatamento na Amazônia, mas também triste. "Porque poderíamos fazer mais, temos condições de fazer mais", explicou o presidente ao participar do encerramento do Encontro de Governadores da Frente Norte do Mercosul, em Belém, capital do Pará.O presidente fez uma ressalva: "Mas não vamos fazer enquanto ficar nas nossas costas em Brasília cuidar de 8,5 milhões de quilômetros quadrados e 360 milhões de hectares de floresta da Amazônia. Não vamos. É humanamente impossível se a gente não envolver o poder local para assumir essas responsabilidades."O presidente Lula ressaltou que é importante distinguir os bons empresários daqueles que são exploradores. "São os predadores que não respeitam a lei, aqueles que não respeitam a autoridade e para esses precisa ter o bastão do Estado em cima deles para aprender a respeitar as leis aprovadas pelo Congresso."DELEGADO DA PFEle encomendou publicamente à ministra Marina Silva que entregue no começo de 2008 um mapa com os municípios onde existe queimada. "Vou convocar os governadores, os prefeitos, os vereadores, se for necessário eu convoco o pastor e o bispo, porque nós precisamos fazer uma gestão compartilhada e responsável", afirmou. E assumiu outro compromisso: "Se for necessário, colocamos um delegado da Polícia Federal em cada município."O presidente qualificou a Amazônia como um trunfo geopolítico para o País. "Temos de ter consciência que a Amazônia não é apenas o pulmão do mundo como eles dizem, a Amazônia é a possibilidade de nós andarmos de cabeça erguida diante da Europa e dos Estados Unidos."E completou: "Nós queremos fazer parceria com eles também, mas não queremos que levantem o dedo para nós. Dialogar sim, mas aceitar desaforo jamais. A Amazônia é nossa e nós vamos cuidar dela."A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que também participou do evento e comemorou os números apresentados, ressaltou que "a queda do desmatamento só vai acontecer a partir de uma perspectiva de desenvolvimento sustentado".