Danos psicológicos são difíceis de mensurar

Emilio Sant?Anna - O Estado de S.Paulo

"É mais fácil perguntar quais os danos que essa criança não vai ter." A psicóloga especialista em adoções, Lídia Natália Dobrianskyj Weber, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), é categórica ao afirmar que é muito difícil estabelecer a extensão dos problemas que a criança, devolvida pelos pais adotivos em Uberlândia, pode apresentar."Ela vive em abrigos esperando por uma adoção e já passou por um ou mais episódios de recusa dos pais, ou então, de perda. Ser devolvida é ser rejeitada novamente", diz a especialista. Para o juiz da Coordenadoria da Infância e da Juventude do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), Reinaldo Cintra Torres de Carvalho, a decisão da Justiça mineira não deve interferir na decisão de casais que pretendem adotar uma criança."É uma decisão que reitera a seriedade do processo", diz o magistrado. "Se eles deram esperanças para essa criança, têm que assumir a responsabilidade."Segundo Lídia, o caso de Uberlândia revela uma realidade das Varas de Infância e Juventude, obrigadas a administrar situações parecidas.Ela cita casos extremos em que a criança chega a ser devolvida após quatro anos da adoção. "Quando uma criança é adotada, é normal que ela regrida, como forma de compensar o tempo perdido na infância", explica. Ela afirma que a devolução revela mais que o despreparo dos pais adotivos. "Isso levanta a questão de como é feito o acompanhamento e a preparação dos casais", diz.