Dados sobre atendimento ainda são subestimados

- O Estado de S.Paulo

A diretora do Programa Nacional de DST/Aids, Mariângela Simão, explica que os dados retirados do Sistema de Controle Logístico de Medicamentos (Siclom) ainda são imprecisos. A utilização do sistema está mais difundida nos grandes centros urbanos. Isso explica as estatísticas, que mostram maior concentração de soropositivos estrangeiros nessas cidades. Na maior parte das fronteiras, o sistema não está em pleno funcionamento, o que leva a dados subestimados.No médio prazo, todas as Unidades Dispensadoras de Medicamentos (UDMs) do País deverão solicitar remédios por meio do Siclom.Calcula-se que, atualmente, apenas 385 das 664 UDMs, cerca de 58%, estão integradas ao sistema. O aplicativo possui três funções principais: cadastramento dos pacientes, controle da dispensação mensal de remédios e controle de estoque de anti-retrovirais.Outro fator que contribui para a imprecisão dos dados é a aquisição, por estrangeiros, especialmente latino-americanos, de direito ao documento de identidade nacional. Isso ocorre quando se casam com pessoas de nacionalidade brasileira, têm filhos aqui ou, simplesmente, são beneficiados por anistia. A coordenadora do Programa de DST/Aids de Tabatinga, município amazonense que faz divisa com a Colômbia e o Peru, Karina Paranhos, afirma que, oficialmente, só 7 dos 133 soropositivos atendidos na cidade são estrangeiros: 2 peruanos e 5 colombianos. "Mas várias pessoas têm identidade brasileira, apesar de terem vivido a maior parte da vida no outro lado da fronteira. Nesse caso, são contados como brasileiros pelo sistema", afirma.Por fim, nem todos os cadastrados vieram ao Brasil para se tratar. Alguns contraíram o HIV quando já moravam aqui, embora sejam minoria, especialmente nos principais centros de referência do País.