D. Orani Tempesta é o novo arcebispo do Rio de Janeiro

José Maria Mayrink e Clarissa Thomé - O Estado de S.Paulo

Clérigo, transferido da arquidiocese de Belém, no Pará, vai suceder ao cardeal d. Eusébio Oscar Scheid

O papa Bento XVI nomeou, como arcebispo da arquidiocese do Rio, d. Orani João Tempesta, de 58 anos, transferindo-o de Belém (PA), onde trabalha desde dezembro de 2004. Ele vai suceder ao cardeal d. Eusébio Oscar Scheid, de 76 anos, que renunciou, seguindo as normas da Igreja, por ter completado 75 anos. A nomeação foi anunciada ontem.   Leia a carta de d. Orani a d. Eusébio e íntegra da entrevistaMonge da Ordem Cisterciense, d. Orani era abade do Mosteiro de Nossa Senhora de São Bernardo - em São José do Rio Pardo (SP), onde nasceu, em 1950 - quando foi nomeado em 1997 bispo de São José do Rio Preto. Ao chegar ao episcopado, tornou-se porta-voz da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), como presidente da Comissão Episcopal para Cultura, Educação e Comunicação Social. Ocupava esse cargo em maio de 2007, quando participou da 5ª Conferência-Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, inaugurada pelo papa Bento XVI em Aparecida. Já era então arcebispo de Belém do Pará e nome de destaque no episcopado, mas preferia atuar nos bastidores. Discreto na defesa de suas posições moderadas, ficou distante da imprensa. Quando um repórter lhe perguntou se ele podia lhe dar (o número de) seu celular, saiu pela tangente: "Não posso, porque só tenho este."Como arcebispo na capital do Rio, Estado que tem, proporcionalmente, o maior número de ateus do País - 15,5% da população, o dobro da média do Brasil -, d. Orani descreve como desafio "encontrar caminhos culturais de convivência, respeito mútuo". "Somos diferentes, mas temos problemas parecidos e podemos trabalhar juntos", completa.D. Orani também opina a respeito de temas polêmicos, como as pesquisas com células-tronco e sobre a descriminação das drogas. "Com relação às células-tronco adultas, a gente incentiva com muito carinho que os pesquisadores encontrem métodos que ajudem a saúde das pessoas. Não podemos concordar em querer eliminar as pessoas para a obtenção de células-tronco embrionárias.ELOGIOSSobre d. Orani, seu antecessor, d. Eusébio, é só elogios. Refere-se a ele como detentor de "profunda religiosidade" e acrescenta que é "bom administrador" e "acostumado à pastoral de massas". O cardeal disse ainda que o grande problema que d. Orani vai enfrentar na cidade é a "superficialidade da vivência da fé". Na opinião do arcebispo emérito d. Vicente Zico, seu antecessor no Pará, "d. Orani é homem de atividade fora de série, bem organizado, comunicativo, dedicado à ação pastoral e de excelente diálogo com o clero".